Impacto Significativo na Saúde Pública
O término da patente do Ozempic, medicamento à base de semaglutida usado tanto para o controle do diabetes tipo 2 quanto para o emagrecimento, marca um momento crucial para a saúde pública no Brasil. Essa avaliação é feita pelo professor Lício Veloso, membro da Academia Brasileira de Ciências e integrante do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Unicamp, em uma recente entrevista ao Agora CNN.
A liberação da patente pela fabricante do Ozempic traz implicações importantes, especialmente considerando a alta prevalência de obesidade e sobrepeso no país. Veloso declarou: “Se nós dispusermos de métodos para tratar adequadamente esses pacientes, vamos ter uma redução no gasto público e também privado com saúde”. Essa perspectiva é fundamental, já que a obesidade é um problema crescente entre os brasileiros.
A descontinuação da exclusividade da semaglutida poderá facilitar o acesso ao medicamento com preços mais acessíveis para a população. O professor ressalta que, apesar de sua tecnologia avançada e o custo elevado de desenvolvimento, a competitividade no mercado deverá resultar em uma diminuição gradual dos preços nos próximos meses.
Acessibilidade e Saúde Pública
Outro ponto destacado é a potencial melhoria no acesso ao Ozempic para a população de baixa renda, que frequentemente enfrenta desafios relacionados à obesidade. Veloso enfatiza que cerca de 20% dos brasileiros sofrem de obesidade, enquanto quase 50% apresentam sobrepeso, colocando muitos em risco de desenvolver doenças associadas, como diabetes e hipertensão arterial.
Com isso, a possibilidade de tratamento adequado para a obesidade pode não apenas reduzir o sobrepeso, mas também ajudar na prevenção e controle de outras condições de saúde. Ele explicou: “O tratamento da obesidade acarreta em melhora das outras doenças também. Para o indivíduo é importante porque ele pode tratar uma condição de base, que seria a obesidade, e ter uma melhora nas outras doenças que ele eventualmente tenha”.
Uma Revolução no Tratamento da Obesidade
Nos últimos 15 anos, houve avanços significativos no desenvolvimento de medicamentos para tratamento da obesidade. A liraglutida foi a pioneira nesta nova geração de fármacos e já teve sua patente encerrada. A semaglutida, que é a base do Ozempic, é o segundo medicamento dessa linha, seguido pela tirzepatida (Mounjaro), proveniente de outra indústria farmacêutica.
Como observou Veloso, “existem vários medicamentos em desenvolvimento que estão em fases intermediárias e finais dos testes clínicos. Isso é importante porque gera competição entre os produtores, o que certamente pode levar a uma queda de preço, mesmo considerando que são substâncias caras para serem produzidas”. Essa competição é um fator crucial na luta pelo acesso a tratamentos mais eficazes.
Embora a redução dos preços não seja instantânea, o professor acredita que a população começará a ver benefícios à medida que o mercado se adapta à nova realidade com o fim da patente. Portanto, o acesso a tratamentos eficazes para a obesidade e suas comorbidades deve se ampliar gradativamente.
