Inovações no Campo: Agricultura Regenerativa em Alta
Os avanços no campo, unindo inovação e práticas sustentáveis, estão promovendo um grande crescimento na fruticultura do Rio Grande do Norte. Em 2026, o Distrito Irrigado do Baixo-Açu (Diba), localizado em Alto do Rodrigues, se tornará o cenário da expansão do projeto de Agricultura Regenerativa, idealizado pelo Sebrae-RN. A proposta visa integrar biotecnologia e redução do uso de fertilizantes químicos, além de diminuir os custos de produção e melhorar a qualidade do solo. Essa iniciativa permitirá a ampliação do número de fruticultores beneficiados, passando de oito para 20 no Vale do Açu.
A experiência adquirida ao longo de 2025 no Baixo-Açu evidenciou que a aplicação de bioinsumos, junto a práticas de manejo regenerativo, pode transformar a produtividade das propriedades rurais. O projeto dá ênfase ao uso de defensivos naturais, que são produzidos pelos próprios agricultores a partir de insumos como fungos, folhas, frutas, melaço de cana-de-açúcar, pó de rocha e outros elementos naturais.
Franco Marinho, gestor de Fruticultura do Sebrae-RN, ressalta que os índices apresentados pelos produtores atestam a eficácia dessa metodologia. “Além de reduzir custos e diminuir o uso de produtos químicos, essa iniciativa melhora a qualidade dos frutos e revitaliza as características físicas, químicas e microbiológicas do solo, garantindo uma sustentabilidade econômica para os agricultores,” afirma ele.
Marinho acrescenta que a expansão do projeto permitirá que um número maior de agricultores tenha acesso a essa metodologia promissora. “Com isso, estamos contribuindo para que as propriedades se tornem mais sustentáveis, reduzindo o uso de fertilizantes químicos e os custos de produção, o que traz efeitos diretos em mais investimentos, geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva,” conclui.
Resultados Visíveis no Manejo Agrícola
Os efeitos dessa abordagem inovadora já podem ser sentidos por diversos produtores. Aldeir Pereira, que cultiva variedades de manga como Tommy, Palmer e Keitt, destaca que a adoção de bioinsumos resultou numa diminuição de cerca de 50% no uso de adubação química, além de uma redução de aproximadamente 70% no emprego de agrotóxicos. “Essa redução de custos é extremamente relevante. Além disso, os fertilizantes naturais têm melhorado a qualidade dos frutos, especialmente em sabor, coloração e resistência após a colheita, aspectos cruciais para a exportação,” enfatiza.
Para Michel Cosme, outro produtor, a técnica de manejo que envolve microrganismos, fungos e bactérias gerou um impacto positivo tanto no vigor das plantas quanto na saúde do solo. “Graças à introdução de bioinsumos e à produção de bioinseticidas a partir de extratos de plantas e melaço, consegui reduzir em cerca de 40% os custos com fertilizantes químicos,” explica. Ele complementa que a diminuição dos custos gerais em sua propriedade chegou a aproximadamente 30%, enquanto a produtividade aumentou em pelo menos 20% em todas as culturas.
Novos Horizontes para a Fruticultura Potiguar
Com os resultados no Vale do Açu se consolidando, o Sebrae-RN se prepara para novas iniciativas em 2026. Além da ampliação das atividades no Baixo-Açu, será implementado um projeto-piloto de fruticultura regenerativa em Serra do Mel, envolvendo dez produtores na cajucultura. O objetivo é criar um conjunto de tecnologias adaptadas à realidade local, incorporando o uso de bioinsumos e técnicas de manejo regenerativo do solo juntamente com tecnologias de clones aprimorados do cajueiro.
De acordo com Franco Marinho, essa nova iniciativa visa revitalizar os solos, aumentar a produtividade e fortalecer a cajucultura no estado. “Nosso consultor já está realizando estudos dos solos da região para desenvolver o projeto-piloto. É um investimento significativo, que trará resultados, pois une duas estratégias eficazes: o uso de bioinsumos e a tecnologia dos clones melhorados, oferecendo promissoras perspectivas para o setor,” avalia.
