Uma Nova Oportunidade na educação
A realidade enfrentada pelos programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) busca transformar a vida de muitos no interior de São Paulo. Essa iniciativa oferece uma segunda chance aos que, na fase da juventude, não conseguiram concluir seus estudos, proporcionando acesso ao conhecimento e às habilidades necessárias para decifrar a escrita na vida adulta.
Maria Aparecida Soares, aos 66 anos, é um exemplo inspirador dessa mudança. Após interromper seus estudos na infância, Maria decidiu retornar às aulas e, há quatro anos, frequenta o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) em Bauru. Ela acredita que nunca é tarde para aprender e expressa sua determinação: “O sonho fica guardado, mas não morto. Chegou a hora de voltar a estudar, não dá para ficar sem saber nada”.
Na turma de Maria, composta por 15 alunos, a diversidade de idades e histórias de vida enriquece a experiência de aprendizado. Todos compartilham o mesmo propósito: aprender a ler e escrever. Para muitos que foram alfabetizados na infância, a importância da leitura pode parecer trivial, mas, para esses adultos, a capacidade de decifrar palavras representa uma grande conquista.
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Metodologia de Ensino Inovadora
A professora Maria Cristina de Andrade, responsável pela turma, comenta sobre a abordagem diferenciada utilizada nas aulas. Ela enfatiza a relevância de conectar o aprendizado à vivência dos alunos. “Por exemplo, a palavra nuvem é algo que eles já conhecem visualmente, então trabalhamos o conceito de forma mais abrangente, utilizando vídeos e ilustrações para fortalecer a compreensão”, explica.
Dados sobre analfabetismo no Brasil
Embora o Brasil tenha visto uma redução no índice de analfabetismo nos últimos anos, os números ainda são alarmantes. De acordo com dados do IBGE, em 2016, aproximadamente 7% da população acima de 15 anos era analfabeta. Em 2022, esse número caiu para 5,6%, e, segundo a estimativa mais recente de 2024, a taxa de analfabetismo agora é de 5,3%.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
Eliane Aparecida Toledo Pinto, pedagoga em Bauru, destaca que, apesar dos avanços, muitos desafios ainda persistem. “O Plano Nacional de Educação revela que ainda existe um número significativo de analfabetos, além de 29% de analfabetos funcionais, que leem, mas não conseguem interpretar o que leem”, ressalta. Para ela, o grande objetivo deve ser erradicar o analfabetismo e promover a alfabetização funcional, essencial para a participação ativa na sociedade.
Educação no Ambiente de Trabalho
Neste contexto, um frigorífico em Lins (SP) implementou um programa educacional voltado para seus funcionários que interromperam os estudos. As aulas são realizadas durante o horário de trabalho, na própria instalação da empresa, facilitando a participação dos colaboradores.
O curso, que tem duração de um ano, combina aulas presenciais e online, acessíveis via dispositivos móveis. O material didático é fornecido pelo Sesi, e os alunos recebem apoio de professores para esclarecer dúvidas e auxiliar nas atividades.
Maiara Maranini de Brito, de 27 anos, é uma das alunas beneficiadas. Após ter enfrentado dificuldades na adolescência e ter parado o ensino médio devido ao bullying, ela viu no programa uma chance de retomar seus estudos. “Reflectindo sobre meu filho, percebo que preciso ser um exemplo. Não posso desistir dos meus sonhos e, por isso, estou determinada a concluir meus estudos”, afirma.
Leonilda Inocêncio Nazário, de 35 anos e operadora de máquinas, também encontrou na iniciativa uma oportunidade de realizar um sonho antigo. Natural da Paraíba, ela abandonou os estudos para trabalhar e sustentar a família, mas agora, com o apoio da empresa, reconquista a sua educação. “Voltar a estudar é uma experiência incrível. Estou aprendendo muito e me sentindo realizada”, destaca.
A professora Michele Luana Quintiliano Almeida, que acompanha os alunos, ressalta a importância do programa. “Esses alunos são pais e mães, e é gratificante vê-los finalizando seus estudos. Eles estão buscando um futuro melhor para si e suas famílias”, comenta.
