Influências familiares e o impacto político da decisão
Embora o nome Ratinho remeta a pequenos roedores, a trajetória política de Ratinho Junior lembra mais um gato que atravessa uma mesa cheia de cristais, como descreveu um de seus aliados. Conhecido por sua cautela e aversão a conflitos, o governador do Paraná, influenciado fortemente pela família, especialmente pelo pai, chocou até os mais próximos ao anunciar sua desistência de concorrer à presidência, um movimento que parecia iminente ao longo de março.
A decisão de não seguir com a candidatura presidencial, segundo fontes próximas, foi impulsionada por pedidos da família, que visava evitar a exposição que uma campanha intensificaria. Além disso, a filiação de Sergio Moro ao PL, onde ele buscará o Palácio Iguaçu, elevou o receio de Ratinho sobre dois cenários: a possível derrota do PSD nas eleições estaduais e um desempenho abaixo das expectativas no Paraná ao tentar o Planalto.
Bastidores da renúncia e o movimento interno
Nos últimos dias, encontrar Ratinho na sede do governo em Curitiba se tornou uma tarefa complexa. Ele estava frequentemente em viagens para São Paulo e Brasília, explorando a candidatura, enquanto a pressão aumentava. Aparentemente, Ratinho era cotado como o favorito do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. A confirmação de sua candidatura parecia ser uma questão de tempo, até que, inesperadamente, na manhã da última segunda-feira, Ratinho surpreendeu Kassab com sua renúncia.
Antes de comunicar sua decisão ao presidente do PSD, Ratinho compartilhou a novidade com poucos aliados de confiança, como Guto Silva, secretário de Cidades, e Marcio Nunes, secretário de Agricultura. Curiosamente, mesmo em um almoço com mais de 30 deputados, ele não tocou no assunto que, horas depois, se tornaria público.
Apesar de contar com uma aprovação popular superior a 80% em seu governo, Ratinho percebeu que a presença de Moro poderia comprometer a candidatura do seu preferido, que ainda não havia sido definido. Para garantir maior controle sobre o processo sucessório, o governador decidiu permanecer ativo até o final do ano.
A desistência e seu reflexo no cenário político
A escolha por não concorrer à presidência, que abre caminho para Ronaldo Caiado no PSD, foi um ato discreto, enraizado em considerações familiares. Embora tivesse o apoio do pai ao inicialmente aceitar a candidatura, este, em um momento de reflexão, expressou preocupações sobre a visibilidade que a campanha traria para os negócios da família. O empresário destacou a possibilidade de ataques em relação a suas empresas e também questões pessoais que poderiam ser usadas contra eles, além de alertar sobre a agressividade da campanha e das acusações de divisão na direita que poderiam surgir.
Na véspera da decisão, Ratinho se reuniu com aliados e seu marqueteiro, sem sinais de que houvesse uma mudança de planos. Foi em casa, ao lado da família, que a conversa decisiva ocorreu, levando-o a reconsiderar sua trajetória. A pressão familiar se mostrou um fator determinante.
Pai e filho: Uma conexão forte e influente
A presença do pai, Carlos Roberto Massa, no Programa do Ratinho, é uma influência central na carreira do filho. O nome, que Juninho decidiu levar às urnas, é fruto de uma história familiar intensa, marcada por investimentos e apoios financeiros significativos desde o início da trajetória política de Ratinho Junior. Em sua primeira campanha, quase 90% dos R$ 964,5 mil arrecadados vieram do pai, que nunca hesitou em sustentar as candidaturas da família.
O Paraná, que abriga 11,9 milhões de habitantes e 399 municípios, é também o berço dos Massa. Jandaia do Sul, onde nasceu o pai, é uma região fértil que ajudou a moldar o patrimônio da família, que se estende além da mídia e abrange o agronegócio. A Rede Massa, afiliada do SBT, e várias emissoras de rádio destacam-se como parte do conglomerado que Ratinho construiu ao longo dos anos.
A política paranaense é dominada por famílias tradicionais, mas os Massa conseguiram estabelecer uma dinastia que combina a força midiática com o sucesso político, uma combinação que, segundo muitos, fez com que o projeto presidencial de Ratinho Junior só fosse viável por conta da notoriedade de seu sobrenome.
A trajetória política e os desafios futuros
Desde que assumiu o governo em 2018, Ratinho Junior tem conquistado a população paranaense, com sua gestão apresentando índices de aprovação elevados. Apesar das críticas, sua administração se destacou por ações na educação, como a implementação de escolas cívico-militares e a privatização de várias empresas estaduais. O índice de desenvolvimento educacional, por exemplo, alcançou resultados surpreendentes durante seu governo.
Com sua desistência em buscar a presidência, ele agora deve se concentrar em garantir uma sucessão que mantenha o legado de sua gestão. Os desafios são grandes, e sua imagem se tornará ainda mais crucial nas eleições estaduais, onde novos nomes como Guto Silva e Alexandre Curi já aparecem como possíveis sucessores. O cenário se complica ainda mais com a pressão da oposição e a necessidade de solidificar sua influência no estado, que, tradicionalmente, não costuma ser um celeiro de candidatos à presidência.
