Desvendando os impactos da desinformação no setor agrícola brasileiro
A era digital trouxe um fluxo incessante de informações, desafiando a sociedade contemporânea a lidar não apenas com questões tecnológicas, mas também éticas e econômicas. Nesse cenário, o agronegócio brasileiro, fundamental para a segurança alimentar e geração de empregos, enfrenta repercussões severas devido à propagação de notícias falsas. Essas fake news têm o poder de distorcer percepções, prejudicar a reputação do setor e influenciar decisões — tanto públicas quanto privadas — que deveriam ser baseadas em dados confiáveis.
Organizações que representam o agronegócio, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e as Federações estaduais, têm destacado a gravidade da situação. Informações enganosas são frequentemente apresentadas por meio de narrativas simplistas e ideologizadas, que visam desqualificar a produção agropecuária nacional e desviar a atenção das questões reais que afetam o setor.
É comum atribuir, de maneira injusta, ao campo a culpa por problemas complexos como mudanças climáticas e crises ambientais. Isso ignora o robusto arcabouço legal, científico e tecnológico que sustenta a atividade rural no Brasil. Por exemplo, a afirmação de que não existe controle sobre o uso da água na irrigação ou que a pecuária brasileira opera sem critérios de bem-estar animal são retóricas que não encontram respaldo em análises fundamentadas.
Além dos danos diretos à imagem do produtor rural, a desinformação agrava a desconexão entre o campo e a cidade. O agricultor, frequentemente rotulado como um antagonista do interesse coletivo, desempenha, na verdade, um papel crucial em inovações como rastreabilidade, práticas de sustentabilidade e agricultura de precisão. Essa desconexão gera prejuízos tangíveis, levando a restrições comerciais baseadas em argumentos infundados e a políticas públicas desconectadas da realidade produtiva.
Combater a desinformação não implica negar a necessidade de melhorias contínuas ou fiscalização rigorosa. Ao contrário, trata-se de promover a transparência, o acesso à informação qualificada e o reconhecimento do conhecimento técnico-científico. Isso exige um fortalecimento do pensamento crítico, da educação midiática e da responsabilidade no compartilhamento de informações. Nesse processo, instituições representativas, a imprensa profissional, a academia e a sociedade civil exercem papéis complementares.
A FAESC se empenha em utilizar todos os meios de comunicação disponíveis para disseminar informações precisas e confiáveis sobre o universo rural. No entanto, enfrentar a desinformação no agronegócio é uma tarefa contínua, que requer um compromisso incondicional com os fatos e respeito à ciência. Defender a verdade sobre o agronegócio brasileiro é, portanto, um ato de defesa do desenvolvimento sustentável e da soberania alimentar, impactando diretamente o futuro de milhões de famílias. Isso se torna um dever institucional e cívico inegociável.
