O Resgate de Alice e a Mobilização da Comunidade
Após dias de angústia e intensas buscas, Alice Maciel Lacerda Lisboa, de quatro anos, foi encontrada. O resgate, que emocionou familiares e mobilizou a comunidade, trouxe um desfecho positivo para um caso que comoveu muitos. Alice desapareceu na última quinta-feira (29), na zona rural de Jeceaba, região Central de Minas Gerais, quando saiu do sítio onde morava com os avós, no distrito de Bituri.
A criança é autista não verbal, o que complicou ainda mais as buscas, que envolveram bombeiros, policiais, Defesa Civil e voluntários. Ela foi vista pela última vez no sítio por volta das 14h30 e, rapidamente, a notícia de seu desaparecimento se espalhou, gerando uma mobilização sem precedentes na região.
A Estrutura das Buscas e os Desafios Enfrentados
Conforme relatado pelo Corpo de Bombeiros, as operações de busca começaram imediatamente após o desaparecimento. Com 21 militares dedicados à missão, as buscas incluíram varreduras noturnas com cães e o uso de drones. Apesar dos esforços, a complexidade do terreno, que apresentava encostas íngremes e áreas de mata fechada, dificultou os trabalhos. A chuva intermitente também trouxe desafios adicionais para os bombeiros, que precisaram ampliar suas estratégias de busca.
A mãe de Alice, em um apelo desesperado, destacou que a filha precisava de medicamentos controlados e estava há mais de 24 horas sem a medicação, o que aumentava a urgência nas buscas. O apoio de cerca de 100 pessoas da comunidade demonstrou a solidariedade em tempos de crise, unindo esforços em prol do bem-estar da menina.
Reflexões Sobre o Desaparecimento de Crianças e Adolescentes no Brasil
Dados alarmantes revelam que o estado do Rio Grande do Norte registrou 775 casos de desaparecimentos de crianças e adolescentes ao longo de 2025, colocando a taxa em 22,43 ocorrências a cada 100 mil habitantes. Essa realidade expõe a gravidade do problema e a necessidade de políticas públicas eficazes para a prevenção e resposta a esses casos, especialmente em áreas vulneráveis.
Enquanto o Brasil contabilizou 23.919 desaparecimentos de crianças e adolescentes em 2025, com uma média de 66 casos por dia, a situação exige atenção redobrada das autoridades e da sociedade. A predominância de desaparecimentos envolvendo meninas e adolescentes do sexo feminino (61%) em comparação com meninos (38%) também levanta questões sobre a segurança e a proteção infantil.
Resposta das Autoridades e o Papel da Sociedade
No contexto nacional, o uso do protocolo Amber Alert tem se mostrado uma ferramenta valiosa para a rápida mobilização em casos críticos. No Rio Grande do Norte, esse sistema visa à divulgação imediata de informações sobre crianças desaparecidas, potencializando as chances de localização. Entretanto, especialistas apontam que ainda há desafios a serem superados, como a integração eficaz entre os estados e uma análise detalhada dos dados regionais.
A tragédia do desaparecimento de Alice não é um caso isolado e ressalta a urgência de uma resposta unificada que envolva segurança pública, assistência social e a participação ativa da comunidade. O enfrentamento dessa questão passa pela conscientização da sociedade sobre a importância de agir rapidamente e de maneira colaborativa em tempos de crise.
Conclusão
O caso de Alice nos lembra que a segurança infantil deve ser uma prioridade em nosso país. A necessidade de implementar políticas de prevenção e ações eficazes para a localização de crianças desaparecidas é mais urgência do que nunca. Que a solidariedade, evidenciada pela mobilização da comunidade durante as buscas, se transforme em um chamado à ação permanente em prol da segurança e bem-estar das crianças brasileiras.
