A Busca por Sustentabilidade no Agronegócio
Com a limitação dos recursos naturais e a crescente demanda mundial por alimentos, fibras e energia, o agronegócio enfrenta um dos seus maiores desafios: como aumentar a produção em áreas menores, mantendo a sustentabilidade e a viabilidade econômica das propriedades rurais. A intensificação da produção não é mais uma escolha, mas uma necessidade estratégica em um cenário global que exige respostas rápidas e eficazes.
O portal Mundo Agro conversou com Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, que destacou a importância do manejo eficiente do solo, da rotação de culturas, do uso de produtos biológicos, da nutrição adequada das plantas e da tecnologia de aplicação como pilares fundamentais para aumentar a produtividade por hectare.
Por Que Produzir Mais em Menos Espaço é Fundamental?
Durante a conversa, Luís Schiavo explicou que a pressão por uma produção mais eficiente decorre do fato de que os recursos naturais são finitos. “Não há como expandir as fronteiras agrícolas sem causar danos ao meio ambiente. A demanda por alimentos continua crescendo, e isso força os produtores a maximizarem a eficiência nas áreas já cultivadas, equilibrando produtividade, sustentabilidade e rentabilidade”, afirmou.
A Influência do Crescimento Populacional
O aumento da população mundial intensifica a demanda por alimentos, fibras e energia, pressionando sistemas que já operam em sua capacidade máxima. Schiavo acrescentou: “Há uma necessidade urgente de produzir mais em cada hectare, além de otimizar os ciclos produtivos e minimizar o desperdício de insumos, água e energia. Produtores que não se adaptarem a essas novas exigências encontrarão dificuldades para competir no mercado”.
O Brasil e Sua Capacidade Produtiva
Questionado sobre a posição do Brasil no cenário global de produção de alimentos, Schiavo é otimista. “Sim, o Brasil tem um enorme potencial. Nosso clima é favorável, temos uma diversidade de solos e a capacidade de produzir mais de uma safra por ano. Os produtores brasileiros estão cada vez mais profissionais, focando em uma intensificação sustentável, algo raro em outros países”.
Eficácia no Uso do Solo
Aumentar a eficiência do uso do solo implicará em extrair o máximo potencial produtivo, sem comprometer sua integridade. Isso inclui uma correção adequada, bem como um manejo físico, químico e biológico eficaz. Schiavo enfatiza: “É fundamental tratar o solo como um organismo vivo, e não apenas como um suporte para as plantas”.
Principais Desafios para o Produtor Rural
Os obstáculos que limitam a produtividade incluem manejo inadequado do solo, compactação, desequilíbrio nutricional e falhas na tecnologia de aplicação. “Muitos produtores investem em insumos de qualidade, mas perdem eficiência devido à falta de planejamento”, destacou o CEO.
Produzir Mais sem Aumentar os Custos
“Certamente é possível. O foco deve estar na eficiência, isto é, produzir mais com os investimentos que já se realiza. Ajustes no manejo, uso apropriado de produtos biológicos e nutrição precisa são essenciais para reduzir perdas e aumentar o retorno sobre o investimento”, explicou Schiavo.
O Papel do Manejo do Solo
De acordo com Schiavo, o manejo do solo é crucial para qualquer estratégia de aumento de produtividade. “Um solo bem cuidado, que possui boa infiltração de água e vida microbiana ativa, é capaz de proporcionar um rendimento elevado”, afirmou, ressaltando que, sem um solo saudável, mesmo as melhores tecnologias falham em entregar resultados eficazes.
Impacto da Cobertura Vegetal e Palhada
As práticas de cobertura vegetal e palhada são fundamentais para a proteção do solo, conservação de umidade e melhoria da ciclagem de nutrientes. “Essas práticas criam um ambiente favorável ao desenvolvimento das raízes e dos microrganismos, permitindo uma colheita mais robusta e saudável”, explicou o CEO.
A Importância da Rotação de Culturas
A rotação de culturas é uma estratégia vital para a sustentabilidade. Schiavo afirmou que essa prática não só quebra ciclos de pragas, mas também melhora a fertilidade do solo e reduz a necessidade de insumos químicos, aumentando a resiliência do sistema produtivo.
Exemplo de Intensificação Produtiva
O sistema soja-milho safrinha é um exemplo notável de intensificação produtiva no Brasil. “Ele melhora a fertilidade do solo e permite uma produção mais elevada, evitando a necessidade de desmatamento e expansão de áreas agrícolas”, comentou Schiavo.
Benefícios a Longo Prazo da Rotação
As práticas de rotação trazem benefícios significativos a médio e longo prazo, como a melhoria da estrutura do solo e a redução de custos com defensivos, garantindo maior estabilidade produtiva.
Contribuição dos Produtos Biológicos e Nutrição
Esses produtos são vitais para aumentar a produtividade, pois estimulam a vida do solo e melhoram a absorção de nutrientes. Schiavo destacou que, quando usados corretamente, esses insumos aumentam o rendimento por hectare, promovendo o uso racional e a eficiência.
A Importância da Tecnologia de Aplicação
O uso de tecnologia de aplicação correta é crucial para maximizar os resultados. “Uma aplicação mal executada pode comprometer todo o investimento feito em insumos”, afirmou Schiavo, ressaltando que a precisão nas aplicações é fundamental para a eficiência operacional.
Preparação do Produtor para Inovações
O panorama atual mostra que os produtores brasileiros estão cada vez mais receptivos a inovações e buscam soluções que gerem resultados econômicos sólidos. “O desafio é democratizar o conhecimento técnico e mostrar os benefícios práticos das novas tecnologias”, concluiu.
Equilíbrio Entre Produtividade e Sustentabilidade
Para Schiavo, o equilíbrio entre produtividade, sustentabilidade e viabilidade econômica é alcançado por meio de uma gestão eficiente. “Boas práticas agronômicas, uso racional de insumos e investimentos em tecnologia não são apenas necessárias, mas urgentes”, defendeu.
Práticas Indispensáveis para o Futuro do Agro
Nos próximos anos, práticas como manejo adequado do solo, rotação de culturas, uso de biológicos, agricultura de precisão e tecnologia de aplicação serão essenciais. “O futuro do agro depende da eficiência. Produzir mais em menos área é uma responsabilidade com o planeta e com as futuras gerações”, finalizou Schiavo.
