Os Perigos da Corrida para Novatos
Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 15 milhões de corredores, e o mercado relacionado ao esporte movimenta cerca de R$ 1 bilhão anualmente. Este segmento abrange inscrições em competições, patrocínios e assessorias, refletindo um crescimento significativo. De acordo com a ABRACEO (Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor), o número de corridas de rua oficiais saltou de 2.827 para 5.241 em 2025, uma impressionante alta de 85%. Contudo, essa ascensão também trouxe à tona um desafio crescente: a falsa ideia de que apenas colocar um tênis e sair correndo é suficiente para praticar o esporte sem riscos.
A realidade, conforme apontam profissionais que lidam diariamente com corredores iniciantes, é complexa. Lesões causadas por excesso de treino, desistências precoces e frustrações devido a metas inatingíveis se tornaram comuns em um ambiente que deveria ser, acima de tudo, prazeroso e saudável. É neste contexto que a assessoria esportiva se destaca como um elemento crucial para garantir que os praticantes se exercitem de forma segura e sustentável.
O Papel da Assessoria Esportiva
Will Martins, que além de participar de provas é também responsável por orientar iniciantes em uma assessoria esportiva, destaca a importância de um acompanhamento profissional. ‘Não é só colocar o tênis e sair correndo. É preciso ter cuidado. A assessoria proporciona a periodização adequada, previne lesões e desempenha um papel social vital na vida do corredor’, afirma Martins, que também preside a Associação das Assessorias Esportivas do RN e é fundador da Winner Run.
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As lesões mais comuns entre corredores incluem problemas relacionados a tendões e articulações. O fisioterapeuta Ronnie Peterson alerta para a prevalência de tendinopatias, como as que afetam o tendão de Aquiles, patelar e glúteo. ‘No início dos treinos, também notamos frequentemente canelites, que refletem a inflamação na canela, e até contraturas e estiramentos musculares. Na prática, tendões e articulações são os mais vulneráveis’, explicou Ronnie, que é diretor da Fisio Esporte e Saúde.
Redes Sociais e Comparações Perigosas
Um dos maiores riscos para corredores iniciantes é a comparação nas redes sociais. Visualizar alguém completando 5 km pode induzir a uma tentativa imediata de correr 10 km. Essa pressão social leva a um ciclo de superação artificial, desconectada das limitações do próprio corpo, sendo um dos principais fatores que resulta em lesões entre amadores. Will ressalta que dados da plataforma Strava indicam que 86% dos corredores que seguiram planos de treinamento estruturados alcançaram seus Recordes Pessoais (PBs) em 2025. Ao mesmo tempo, clubes de corrida estruturados aumentaram 59% nesse mesmo período, evidenciando a crescente busca por orientação qualificada.
Além disso, pela primeira vez, em 2025, 45% dos inscritos em eventos estavam participando de sua primeira corrida, segundo informações da Ticket Sports. Isso reforça a ideia de que receber orientação desde o início é fundamental. ‘Um erro comum é aumentar o volume de treino sem respeitar os limites do corpo. O começo deve ser gradativo e seguro. Comece devagar, com distâncias pequenas, e respeite o processo. Isso é essencial para quem deseja uma carreira duradoura na corrida’, aconselha Martins.
A Importância de uma Assessoria de Qualidade
Uma assessoria esportiva de qualidade oferece três pilares fundamentais para o corredor: periodização científica, atenção à saúde física e mental, e um ambiente social que promove pertencimento. Will, que possui ampla experiência formando corredores de diversas idades, do público infantil ao de veteranos, enfatiza que a corrida é acessível a todas as idades, sendo necessária, contudo, uma orientação médica prévia e acompanhamento contínuo.
A escolha de uma boa assessoria não deve ser negligenciada. O treinador orienta que corredores verifiquem se o profissional é registrado no CREF (Conselho Regional de Educação Física), analisem a experiência prática e a postura do treinador no ambiente de treino. ‘É um investimento na saúde mental e física. Teoria e prática devem caminhar juntas. O profissional precisa entender o que o aluno está experimentando, por isso é crucial que ele tenha vivência como corredor’, conclui Will.
Um Olhar para o Nordeste
O crescimento do esporte não se limita a São Paulo ou Rio de Janeiro. O Nordeste do Brasil se destaca com 20,8% das inscrições nacionais em 2025, consolidando-se como o terceiro maior mercado no país, em disputa acirrada com a região Sul. O estado de Alagoas, por exemplo, apresentou um crescimento recorde de 800% no número de corridas oficiais, enquanto Sergipe viu um aumento de 95% em relação a 2024. Essa democratização do esporte, impulsionada por assessorias locais e comunidades de corrida, está reformulando o cenário esportivo brasileiro.
No Rio Grande do Norte, a capital Natal se tornou um importante ponto de realização de eventos, como a Meia Maratona do Sol, que integra um calendário previsto para mais de 60 provas oficiais em 2026, conforme a Federação Norte-rio-grandense de Atletismo (FNA) e dados da ABRACEO e plataformas de inscrição.
Fatos e Números do Corrida no Brasil
– Aproximadamente 15 milhões de corredores ativos no Brasil.
– 5.241 provas oficiais de corrida registradas em 2025.
– O setor movimentou cerca de R$ 1,1 bilhão em 2025.
