O PIB Potiguar em Números
O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte alcançou um marco histórico em 2023, atingindo a cifra de R$ 101,7 bilhões, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com as informações, as cidades de Natal, Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante foram responsáveis por impressionantes 50,8% do PIB do estado. Especialistas consultados pela TRIBUNA DO NORTE atribuem esse expressivo crescimento, em grande parte, ao setor de comércio e serviços, que, somado à energia eólica onshore, contribuiu para uma maior participação econômica de municípios menores, como Lajes, Caiçara do Rio do Vento e Pedro Avelino.
Natal, a capital do estado, foi o município que mais ampliou sua participação no PIB entre 2022 e 2023, passando a representar 30,63% da riqueza gerada, com um PIB estimado em R$ 31,162 bilhões. Esse crescimento de 1,32 ponto percentual em relação ao ano anterior estabelece Natal como a cidade com o maior aumento proporcional no estado, conforme observado por Ricardo Valério, economista da região. Para Valério, o setor de comércio e serviços foi decisivo para esse resultado, especialmente na capital.
Infraestrutura e Desenvolvimento
Surpreendentemente, a análise de Valério também ressalta que as capitais receberam um volume considerável de recursos da União para investir em infraestrutura durante o período em questão. Em Parnamirim, Robespierre do Ó, economista local, indica que os serviços foram o principal motor do PIB. Enquanto isso, em São Gonçalo do Amarante e Mossoró, outros setores, como indústria e petróleo, se destacaram. De acordo com Robespierre, Mossoró viu um impulso na economia por meio da venda de poços maduros de petróleo, enquanto São Gonçalo se beneficiou de sua infraestrutura, como o aeroporto.
Contudo, a situação não é a mesma para os municípios menores, que também conseguiram aumentar sua participação no PIB em 2023. Lajes, Caiçara do Rio do Vento e Pedro Avelino foram algumas das cidades que se destacaram, principalmente pela instalação de parques eólicos em suas regiões. Ricardo Valério, membro do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon), afirma que esses parques eólicos, especialmente um dos maiores do estado localizado em Lajes, foram fatores cruciais para o desempenho positivo observado pelo IBGE.
Desafios e Quedas no PIB
Entretanto, nem todos os municípios tiveram resultados positivos. Parnamirim foi um dos que registrou uma redução na participação do PIB, com uma queda de 0,50 ponto percentual, a mais significativa do estado. Valério atribui essa retração ao setor imobiliário, que sofreu uma desaceleração após um crescimento acentuado entre 2020 e 2022. “Acreditamos que essa queda é temporária, pois Parnamirim já está se recuperando e voltou a ser um verdadeiro canteiro de obras”, afirmou o economista.
Os municípios de Guamaré, Serra do Mel, Macau e Areia Branca também enfrentaram quedas no PIB. Em Guamaré, Valério relaciona a retração às reduções de preços no refino de petróleo e gás, enquanto em Macau e Areia Branca, a menor produção e preços baixos na indústria salineira foram os fatores determinantes. Em Serra do Mel, a situação foi semelhante, mas relacionada à redução de preços da castanha de caju. “Mossoró também teve dificuldades no setor imobiliário, semelhante ao que ocorreu em Parnamirim”, completou Valério.
Mudanças no Cenário Econômico
Os novos dados impactaram o ranking das maiores economias do estado, com São Gonçalo do Amarante agora ocupando a quarta posição, superando Guamaré. Macaíba também subiu para a sexta posição, enquanto Macau saiu da lista dos dez maiores PIBs. Juntos, os cinco municípios com maior participação representaram 53,3% da economia estadual em 2023. “O crescimento de São Gonçalo do Amarante é notável, especialmente considerando seu aumento populacional e a recuperação alavancada pelo aeroporto”, avaliou Valério.
Além disso, cinco municípios potiguares apresentaram PIB per capita superiores a R$ 100 mil. Guamaré lidera com R$ 168.808,24, seguido por Caiçara do Rio do Vento (R$ 145.099,23) e São Bento do Norte (R$ 119.507,48). “O desempenho curioso de Bodó, que possui menos de 2,5 mil habitantes, se deve à exploração mineral, especialmente de caulim e xelita, além das eólicas que estão se instalando na região”, explicou Ricardo Valério.
O Futuro da Economia Potiguar
Para Hugo Fonseca, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do RN, os dados do IBGE refletem o dinamismo e a solidez da economia potiguar. Ele destaca que, além do turismo e dos serviços, a indústria de transformação e o setor de energia elétrica e gás foram fundamentais, apresentando crescimentos expressivos de 23,1% e 11,9%, respectivamente. “Isso reflete a consolidação do RN como referência na cadeia de energia, especialmente em fontes renováveis”, concluiu.
Ricardo Valério reforça que a continuidade do crescimento do PIB do RN está diretamente ligada às energias renováveis. “É fundamental que o estado não apenas exporte energia, mas também pense em como utilizá-la localmente. A infraestrutura, como a instalação de data centers, é um caminho importante para impulsionar o emprego e a renda na região”, finalizou.
