Tensão na CPMI do INSS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS não aprovou o relatório final que sugeria o indiciamento de mais de 200 indivíduos. A decisão veio após uma longa sessão que durou mais de 15 horas, resultando em 19 votos contrários e 12 a favor. Com isso, a comissão encerrou suas atividades sem produzir um documento formal.
O parecer elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar pedia o indiciamento de políticos, ex-ministros e dirigentes de estatais, além de outras figuras públicas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. Em contrapartida, alguns membros da base governista solicitaram a análise de um texto alternativo, apresentado na mesma data.
O documento alternativo recomendava o indiciamento de 130 pessoas, que incluía o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Contudo, o presidente da CPMI, Carlos Viana, decidiu encerrar a sessão sem considerar o relatório do governo.
Após o término da sessão, Viana anunciou que uma cópia do documento seria encaminhada aos órgãos de fiscalização competentes. O líder do governo na CPMI, Paulo Pimenta, expressou que a base não teve a oportunidade de finalizar o trabalho da comissão.
Um clima de tensão permeou a sessão, especialmente com os momentos críticos entre os parlamentares. O deputado Lindbergh Farias chamou Alfredo Gaspar de estuprador, gerando uma forte reação. Gaspar, por sua vez, foi chamado de bandido e cafetão, levando-o a anunciar que processará Farias e buscará medidas no Conselho de Ética.
O presidente da comissão, Carlos Viana, caracterizou a declaração de Lindbergh como grave e considerou a possibilidade de expulsá-lo. Ele pediu respeito durante os debates e tentou manter a ordem, permitindo que Gaspar se manifestasse antes de qualquer medida contra o colega de partido.
A polêmica começou quando Lindbergh questionou publicamente as declarações de Gaspar. A equipe de Lindbergh também está avaliando possíveis ações legais devido ao tumulto.
A CPMI do INSS foi estabelecida para investigar as alegações de descontos irregulares aplicados a benefícios previdenciários, com foco em entidades associativas. O pedido para a criação da comissão foi protocolado em 2025, motivado por investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União que revelaram um esquema bilionário de cobranças indevidas, impactando severamente os beneficiários.
