Recorde em Exportações: O Impacto da Relação Brasil-China
Em 2025, as exportações brasileiras para a China atingiram a marca impressionante de US$ 100 bilhões, consolidando-se como o segundo maior registro na série histórica de 29 anos, desde 1997. Esse dado foi revelado em um relatório do Conselho Empresarial Brasil-China e representa uma evolução significativa no comércio bilateral, que começou a se intensificar especialmente a partir de 2018. Nesse período, o mercado chinês se tornou um dos principais destinos das compras de grãos e proteínas animais do Brasil.
Entretanto, essa relação, apesar de altamente lucrativa, também expõe algumas fragilidades no setor agropecuário. Mudanças nas normas de sanidade, na política comercial ou mesmo a desaceleração da economia chinesa podem resultar em impactos diretos nas cadeias produtivas brasileiras. Por outro lado, a demanda constante por alimentos e o grande potencial do mercado chinês tornam-no um destino crucial para o escoamento da produção nacional, ajudando a sustentar preços e a garantir a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.
A Dinâmica Bilateral
De acordo com especialistas, a relação entre Brasil e China é, de fato, uma via de mão dupla. A China necessita das importações brasileiras para alimentar sua vasta população, ao mesmo tempo em que busca controlar a inflação alimentar. Para o Brasil, a China representa um comprador seguro para grandes volumes de produção, especialmente em setores como carnes, soja, milho, algodão e biocombustíveis.
O contexto histórico recente também destaca a relevância dessa parceria. A guerra comercial entre os Estado Unidos e a China, a epidemia de peste suína africana e a pandemia de coronavírus foram eventos que impactaram diretamente o comércio global de alimentos entre 2018 e 2023. A imposição de tarifas americanas sobre produtos chineses levou a China a explorar novos fornecedores, e o Brasil se destacou com a oferta de produtos a preços competitivos e em grandes volumes.
O Papel da Soja e do Milho nas Exportações
A China, como maior importador mundial de soja, comprou 111,83 milhões de toneladas em 2025, um acréscimo de 6,5% em relação ao ano anterior, segundo dados alfandegários. O Brasil desempenhou um papel fundamental nesta estatística, sendo responsável por 87,1 milhões de toneladas desse total, o que equivale a cerca de 80% das exportações nacionais do grão.
O milho também se destacou na relação comercial, especialmente após a abertura do mercado chinês para o cereal brasileiro em 2022, que se intensificou em 2023. No entanto, nos anos de 2024 e 2025, a China reportou safras recordes e adotou uma postura mais cautelosa em suas importações, resultando em uma queda significativa nas compras do Brasil. Essa flutuação de demanda levou a uma redução expressiva nos preços do milho no Brasil.
Demandas por Proteínas e a Diversificação de Mercados
No setor de proteínas, a dependência do mercado chinês é notável. Em 2025, a China foi o principal destino da carne bovina brasileira, representando 48% do volume total exportado, com um crescimento de 22,8% em relação ao ano anterior. A carne suína, por sua vez, viu a China cair para o segundo lugar como importador, enquanto a demanda por carne de frango também sofreu uma redução devido a restrições impostas pela China após um surto de gripe aviária em granjas brasileiras.
Apesar da força dessa relação, o governo brasileiro tem trabalhado em novas estratégias para diversificar os mercados e reduzir a dependência de um único comprador. A abertura para novos acordos comerciais é vista como uma maneira de proteger os produtores contra oscilações de preços e possíveis crises. Essa diversificação é essencial, mas sem comprometer a importância da China como um parceiro estratégico no agronegócio.
Impactos Diretos na Economia
As decisões da China em relação às suas importações têm efeitos diretos sobre os preços internos no Brasil. Quando a China amplia suas compras, os preços tendem a se manter estáveis ou até a subir, beneficiando os produtores. Por outro lado, uma diminuição na demanda pode pressionar os preços para baixo, refletindo a interconexão entre as economias.
Para o futuro, a relação entre Brasil e China no agronegócio promete seguir sendo crucial. O Brasil precisará focar em manter sua competitividade, diversificar seus mercados e investir em melhorias logísticas e sanitárias. Para a China, garantir um abastecimento seguro e diversificado implica continuar contando com o Brasil como um parceiro vital, tanto para a produção de alimentos quanto para insumos.
