Um Marco na Pesquisa Científica
Na última sexta-feira, dia 27, Mossoró (RN) recebeu um importante avanço nas ciências históricas com a inauguração do Centro de Pesquisa da Pré-História João de Araújo Pereira Neto (CPPH), vinculado à Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Este centro é pioneiro no Brasil, reunindo sob o mesmo teto pesquisas de ponta em Arqueologia e Paleontologia, um feito que promete revolucionar a forma como esses campos científicos interagem.
O projeto foi viabilizado através de um convênio estabelecido em 2022 entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a UERN e a Companhia Paranaense de Energia (Copel), resultando em um investimento total de R$ 1,2 milhão. O CPPH não apenas se propõe a realizar pesquisas, mas também a promover extensão e atuar como guardião de acervos científicos, recebendo a autorização oficial do Iphan para a guarda qualificada de materiais arqueológicos.
Tesouros Arqueológicos em Coleção
A estrutura do CPPH é robusta, contando com uma reserva técnica de arqueologia, laboratórios especializados em arqueologia e datação, uma sala destinada à guarda de material paleontológico, além de laboratórios de informática e pesquisa. Atualmente, o centro abriga 80 acervos científicos, totalizando cerca de 50 mil artefatos culturais, que são verdadeiros tesouros da história local.
Dentre os itens em destaque, encontram-se vestígios de grupos humanos que habitaram a região há mais de 9 mil anos, bem como peças raras como um vasilhame cerâmico da tradição Tupi-Guarani, que trazem à tona a rica diversidade cultural do passado.
Importância e Impacto do CPPH
Durante a cerimônia de inauguração, Deyvesson Gusmão, que representou o presidente do Iphan, destacou a relevância do centro como parte de uma estratégia para direcionar recursos para a cultura. “Trabalhar com cultura e incentivar o patrimônio cultural é uma decisão política. Quando falamos em patrimônio, falamos em cidadania”, afirmou. Ele enfatizou que o CPPH não é apenas um projeto regional, mas uma iniciativa que se estende por todo o Brasil, contribuindo para a nacionalização das ações do Iphan.
João Gentil, superintendente do Iphan no RN, também comentou sobre o significado do novo espaço. “O patrimônio arqueológico não pertence apenas ao passado, mas é um instrumento de educação, identidade e desenvolvimento. O CPPH será um local capaz de gerar conhecimento e formar educadores”, ressaltou.
Democratização do Conhecimento
O professor Valdeci dos Santos, coordenador do CPPH, reiterou que a proposta central do projeto é a democratização do conhecimento. Além de incentivar os cursos de graduação e pós-graduação da UERN, o acervo será acessível a estudantes de escolas públicas, promovendo o intercâmbio de informações essenciais. “É nossa essência trazer informação para os estudantes”, destacou Valdeci.
A cerimônia de inauguração foi enriquecida com uma apresentação cultural dos Ursos de Mossoró, uma manifestação tradicional que simboliza a conexão entre a pesquisa científica e a cultura vibrante do povo potiguar, reforçando a importância de aliar ciência e tradição na construção do futuro.
