O Legado de Caby da Costa Lima
Um personagem marcante da comunicação potiguar, Caby da Costa Lima, será homenageado com o lançamento do curta-metragem “Alô, Camaradinha”, programado para março. O filme, que promete resgatar a memória do radialista e escritor, é uma produção do jornalista Esdras Marchezan em parceria com Alice Lira Lima, filha do homenageado. A obra visa não apenas contar a sua trajetória, mas também reavivar a saudade entre amigos e admiradores do radialista, que deixou um legado significativo na cena radiofônica de Mossoró.
A ideia do curta começou a tomar forma em 2023, quando Esdras teve a oportunidade de conhecer Alice. Ele percebeu a importância da relação dela com o pai e decidiu que Caby seria o tema de seu próximo projeto. Esdras Marchezan, além de jornalista, é documentarista e professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern), enquanto Alice também atua como jornalista e assina o roteiro do filme em coautoria com seu pai.
“Desde que Caby nos deixou, eu me questionei sobre como preservar a história de pessoas que tanto contribuíram para a nossa cidade. Ao conhecer Alice e sua narrativa sobre Caby, percebi que o filme deveria ir além de um relato histórico. O foco precisava ser a história do afeto”, explicou Esdras. O documentário, portanto, se desenvolve a partir dessa perspectiva, com Alice exercendo um papel central na narrativa sobre seu pai, que foi uma figura emblemática e querida na cidade.
Produção e Elementos do Curta
“Alô, Camaradinha” marca o terceiro documentário de Esdras Marchezan, sendo produzido com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e com o apoio da Secretaria de Cultura de Mossoró. O curta-metragem apresenta direção de Esdras, com roteiro e argumento coescritos por ele e Alice Lira Lima, edição e montagem de Romero Oliveira, interpretação em libras de Daniel Guedes e design gráfico de João Azevedo.
Caby da Costa Lima, conhecido também pelo nome de Raimundo Nonato, conquistou popularidade no rádio, especialmente devido à sua ligação com o futebol, que começou em 1972. Ele foi presidente do Potiguar em 1997, quando o time se destacou pela primeira vez em público. Sua carreira no rádio incluiu passagens por várias emissoras, como Rádio Tapuyo e Rádio Difusora de Mossoró, além de diversas outras em estados como Maranhão e Ceará.
Os tamancos, sempre usados por Caby, tornaram-se uma de suas marcas registradas, e ele certa vez afirmou: “Quando você usa tamanco, você fica à vontade, se solta, e rapidamente se encontra descalço”. Caby narrou inúmeras partidas de futebol, incluindo momentos memoráveis como a classificação do Brasil para a Copa do Mundo de 1994, na partida contra o Uruguai. Seu programa, “O Som do Caby”, acompanhou sua trajetória até o final de sua carreira, com a Rádio Santa Clara, FM 105, em Mossoró, sendo seu último espaço de atuação.
Uma Homenagem Necessária
A produção de “Alô, Camaradinha” não se limita apenas à vida profissional de Caby, mas também à rica relação familiar e ao afeto que permeia suas memórias. Através deste filme, espera-se que as novas gerações possam conhecer e valorizar a importância do radialista em um contexto maior, refletindo sobre o impacto que ele causou na comunicação local e na vida de tantas pessoas. O documentário, portanto, não é apenas uma homenagem, mas uma forma de dar voz a histórias que precisam ser contadas e preservadas para o futuro.
