Desafios Pontuais no Agronegócio
O Banco do Brasil (BBAS3) descartou a ideia de que o agronegócio enfrenta uma crise generalizada, enfatizando que o setor está, na verdade, lidando com desafios pontuais. Gilson Alceu Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, explicou que, embora alguns produtores enfrentem dificuldades de fluxo de caixa, essa situação não reflete a realidade do setor como um todo.
Bittencourt observa que esse cenário é influenciado por uma série de fatores, como a taxa Selic elevada, prorrogações de custeio, condições climáticas adversas, flutuações de preços e, principalmente, falhas de gestão. “Quando olhamos para o agronegócio de forma ampla, não identificamos uma crise. Os problemas estão mais concentrados entre os grandes produtores, que tomaram decisões em períodos de margens favoráveis. O real desafio é superar essas dificuldades a médio e longo prazo. Não devemos considerar os pequenos e médios produtores dentro dessa mesma caixa de crise”, afirmou.
As observações de Bittencourt foram feitas durante um painel dedicado a grãos e infraestrutura no segundo dia da Latin America Investment Conference, evento promovido pelo UBS em São Paulo. Neste espaço, o banco também compartilhou sua visão sobre o futuro do agronegócio.
Medidas para Enfrentar os Desafios
Para ajudar os produtores a enfrentarem os problemas de liquidez, o Banco do Brasil tem intensificado suas ações de renegociação de dívidas, utilizando a Medida Provisória (MP) 1.304. “Com a MP, oferecemos uma solução para aqueles que realmente enfrentaram dificuldades de fluxo de caixa. E é importante ressaltar que a maioria dos produtores não precisou recorrer à renegociação, mesmo com a Selic elevada”, acrescentou Bittencourt.
Perspectivas Positivas para o Futuro do Agronegócio
No que diz respeito ao futuro do agronegócio, Bittencourt mantém uma visão otimista, baseada em três pilares principais: o aumento estrutural da demanda global por alimentos, proteínas e energia; a crescente exigência por práticas sustentáveis; e a vantagem competitiva do Brasil na produção sustentável. “Esses fatores nos fazem acreditar que o agronegócio brasileiro tem um futuro promissor, mesmo diante dos desafios atuais”, concluiu.
