Transformação Tecnológica e Mercado de Trabalho
A revolução tecnológica que se estabelece na economia brasileira já apresenta impactos diretos no cenário do trabalho, com o agronegócio sendo um dos setores mais afetados. Um estudo intitulado “Lost in Transition Brasil”, produzido pela Pearson, empresa reconhecida na área de educação e aprendizado contínuo, revela que cerca de 32% dos empregos no Brasil estão em risco elevado por conta da automação, especialmente em setores como a agricultura e a indústria. As perdas de emprego no campo correspondem a 7% do total, ficando atrás apenas da indústria, que representa 12%. Esses dois setores se destacam como os mais vulneráveis à automação e à rápida adoção de novas tecnologias.
De acordo com a pesquisa, o Brasil se destaca em perdas econômicas associadas a falhas nos momentos críticos de transição do ciclo de trabalho. Essas transições incluem a passagem da educação ao mercado de trabalho, as trocas de emprego e os efeitos da automação. Estima-se que o impacto econômico significativo do Brasil chegue a R$ 1,08 trilhão anuais, o que corresponde a aproximadamente 9% do PIB em 2024.
Dificuldades de Recolocação e o Impacto da Automação
Boa parte desse prejuízo está relacionada à elevada dificuldade de recolocação profissional. Atualmente, mais de 20% dos brasileiros desempregados buscam por uma vaga no mercado há mais de dois anos, com uma média de 42 semanas de procura, tempo esse consideravelmente maior que o registrado em países como Canadá e Reino Unido.
Além do desemprego prolongado, a automação surge como o segundo maior fator de disrupção no mercado, ameaçando 32% dos postos de trabalho no Brasil, principalmente nas áreas de manufatura e agricultura. No campo, o uso de máquinas automatizadas, sistemas digitais, biotecnologia e soluções baseadas em dados está reformulando as práticas de produção, exigindo que o perfil do trabalhador rural se adapte às novas demandas do mercado.
Requalificação: A Chave para o Futuro do Agronegócio
Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, enfatiza que a evolução tecnológica no agronegócio é inevitável e necessária, mas deve ser acompanhada de políticas e iniciativas voltadas para a requalificação da mão de obra. “O agronegócio brasileiro é reconhecido por sua inovação e pela adoção de tecnologias avançadas, mas isso impõe a necessidade de um novo conjunto de habilidades. O desafio é preparar os trabalhadores para essa evolução, garantindo que continuem produtivos e empregáveis”, afirma.
A executiva ressalta que os dados do estudo mostram que a requalificação deixou de ser um tópico marginal e se tornou essencial para a sustentabilidade do setor. “Quando discutimos automação no campo, não nos referimos apenas à substituição de funções, mas à transformação de carreiras. Investir em educação contínua, no desenvolvimento de competências digitais e técnicas é crucial para mitigar as perdas econômicas e sociais decorrentes dessa transição”, complementa Cinthia.
Aprendizado Contínuo: Uma Necessidade para o Setor
A pesquisa da Pearson indica que os países que conseguiram reduzir os efeitos da automação foram aqueles que implementaram programas robustos de requalificação e aprendizado ao longo da vida, conectando educação, mercado de trabalho e políticas públicas. No contexto brasileiro, o agronegócio pode aproveitar essa oportunidade ao unir sua vocação tecnológica com estratégias estruturadas de capacitação, especialmente para aqueles que atualmente ocupam postos operacionais.
