Movimentação Acadêmica em Prol da Sucessão Governamental
Com a possibilidade de uma eleição indireta para a sucessão da governadora Fátima Bezerra, setores da academia potiguar estão se mobilizando para inserir no debate político um nome com perfil técnico e experiência em gestão pública. O professor doutor em Economia Emanoel Nunes, vinculado à Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e ao Partido Verde (PV), é o candidato em destaque.
A articulação, que ainda se encontra em fase inicial, visa consolidar uma candidatura que receba respaldo institucional das principais universidades do Estado, incluindo a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Além disso, a proposta inclui a escolha de um vice-governador oriundo do Sistema S, com o intuito de fortalecer o diálogo com o setor produtivo.
Proposta de Governança Baseada em Dados
Para Nunes, a eventual eleição indireta é uma “saída legítima” prevista na Constituição e poderia contribuir para a diminuição da polarização política no Estado. O professor argumenta que uma candidatura originária do mundo acadêmico, apoiada de forma suprapartidária pelas universidades, traria um alívio à sociedade e evitaria desgastes políticos entre os deputados, permitindo que se concentrem em suas funções e em futuras reeleições. “O objetivo é um governo que dialogue mais e reflita as necessidades da população”, ressalta Nunes.
De acordo com fontes próximas à articulação, a candidatura não teria um caráter corporativo, mas seria uma alternativa técnica em um momento de transição. Entre os principais pontos a serem defendidos estão o fortalecimento de políticas públicas fundamentadas em dados, a integração das universidades no planejamento econômico do estado e o aumento dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Além disso, a proposta inclui a consolidação de estratégias voltadas à sustentabilidade e à transição energética, áreas nas quais o Rio Grande do Norte é reconhecido em nível nacional.
Desafios e Expectativas no Cenário Político
A Constituição estabelece que, em caso de vacância dupla nos dois últimos anos de mandato, a escolha do novo chefe do Executivo cabe à Assembleia Legislativa. Nesse cenário, perfis que apresentem um bom nível de diálogo e um histórico de baixa rejeição política tendem a ter mais chances. Nunes acredita que uma candidatura que agregue as principais instituições de ensino superior do Estado poderia demonstrar um compromisso institucional com o planejamento a médio prazo e com a estabilidade administrativa.
A escolha de um vice que represente o Sistema S é vista como uma forma de unir o conhecimento acadêmico à experiência prática no setor produtivo. A consolidação desse movimento dependerá da evolução do cenário eleitoral e da disposição das bancadas na Assembleia Legislativa do RN. Nos próximos dias, há uma expectativa de avanço nas negociações institucionais e no fortalecimento de apoios, colocando a academia como uma voz ativa no debate político estadual.
Experiência e Trajetória Acadêmica de Emanoel Nunes
Graduado em Economia pela UFRN, Nunes possui mestrado pela Universidade Federal de Uberlândia e doutorado em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tendo realizado estágio doutoral na Wageningen University, na Holanda. Sua carreira acadêmica é voltada para o desenvolvimento regional, agricultura familiar e economia institucional.
Atualmente, é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Uern e é bolsista de produtividade do CNPq (PQ-2). Nunes lidera o grupo de pesquisa “Desenvolvimento Regional: agricultura e petróleo” (Nudet/Uern) e participa do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agricultura, Alimentação e Desenvolvimento (Gepad/UFRGS). Em sua trajetória na gestão universitária e pública, atuou como diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da Uern, pró-reitor de Extensão da instituição e diretor-presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (Fapern), onde coordenou iniciativas de incentivo à pesquisa aplicada e à interiorização da produção científica.
