O Dilema de Alysson Bezerra
O cenário político do Rio Grande do Norte está em meio a um paradoxo, especialmente no que diz respeito à sucessão estadual. No centro desse embate, encontra-se Alysson Bezerra, prefeito de Mossoró pelo União Brasil. Com uma aprovação popular expressiva e liderando as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado, Alysson parece destinado a uma trajetória tranquila rumo ao Centro Administrativo em Natal. Entretanto, o que se observa nos bastidores é um silêncio que pode indicar uma hesitação estratégica ou um recuo calculado que levanta a hipótese de uma desistência antes mesmo da oficialização de sua candidatura.
A questão que permeia as discussões políticas é: o que está levando o favorito a adiar a formalização de sua pré-candidatura? A incerteza pode não estar relacionada à falta de respaldo popular, mas sim ao peso das investigações que tramitam no Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e na Justiça Federal. Recentemente, surgiram denúncias que envolvem três frentes principais: suspeitas de superfaturamento em obras de pavimentação, favorecimento em licitações e alegações de cobrança de propina. Esses casos já foram elevados a instâncias superiores, como o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), devido à implicação de verbas federais, além de outras questões que estão sob análise no MPRN.
Essas incertezas judiciais criam um risco significativo de inelegibilidade ou de uma campanha suscetível a ataques legais. Se Alysson decidir permanecer no Palácio da Resistência, visando proteger sua gestão em Mossoró, o cenário eleitoral para 2026 poderá passar por uma reconfiguração radical.
Possíveis Alternativas no Tabuleiro Político
Na hipótese de Alysson não se candidatar, o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PSD), desponta como uma alternativa viável. Embora mantenha diálogos com o grupo governista, sua base eleitoral na capital confere a ele um status de “coringa” muito valorizado. Contudo, as análises políticas indicam uma tendência de união da oposição em torno de um bloco que abriga a direita e a centro-direita.
A distância entre o União Brasil e o PT de Fátima Bezerra sugere que a estratégia do partido de Alysson pode ser buscar uma aliança com o PL, liderado pelo senador Rogério Marinho. Este, com forte viés bolsonarista e uma posição de opositor ao petismo no estado, controla uma legenda de grande influência e abrangência nacional. Assim, uma junção entre União Brasil e PL não seria apenas conveniente, mas essencial para a sobrevivência política de ambos diante dos desafios impostos pelas administrações federal e estadual.
A questão que persiste é se o “menino de Mossoró” terá a força necessária para enfrentar essa jornada até Natal, carregando o peso das investigações, ou se optará pela segurança de sua posição municipal, abrindo espaço para que outras lideranças, tanto novas quanto tradicionais, entrem em confronto em um cenário incerto.
Movimentos no Cenário Federal
No âmbito federal, o Partido Verde (PV) realiza uma análise cuidadosa de sua Federação (PV/PT/PC do B) e acredita na possibilidade de eleger até quatro deputados na bancada federal do Rio Grande do Norte. Essa meta, embora viável, enfrenta desafios, já que muitos candidatos em potencial têm recuado, devido ao forte aparato que os atuais oito deputados possuem.
Os que sonham em conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados estão cientes de que os legisladores em exercício contam com substanciais verbas federais, oriundas de suas emendas parlamentares, que garantem suporte à renovação de seus mandatos.
Fontes bem informadas indicam que um político com boa aceitação entre os eleitores desistiu de concorrer a uma vaga na Câmara em razão dos altos montantes que os incumbentes terão à disposição. Para este político, a expectativa de renovação no parlamento federal é pessimista.
Controvérsias sobre o Mandato Tampão
Em entrevista à emissora 88FM, o professor Fabiano Mendonça, da UFRN, questionou a validade da realização de uma eleição indireta para escolher um governador em um “mandato tampão”. Segundo ele, a Constituição não prevê que essa eleição seja indireta, e sua interpretação sugere que deveria ocorrer uma votação direta, permitindo que os eleitores escolhessem diretamente seus representantes nas urnas eletrônicas.
Apesar de não haver um dispositivo constitucional explícito sobre a forma de escolha do governador para o “mandato tampão”, muitos políticos acreditam que a decisão será indireta, com votação realizada pelos deputados estaduais. Nesse contexto, a governadora Fátima Bezerra está apostando todas as suas fichas em Cadu Xavier, seu candidato preferido.
Os opositores fazem suas contas, acreditando que o candidato indicado por Fátima não possui chances reais de vencer na eleição indireta. Entretanto, aliados da administração atual apostam que mudanças significativas no panorama da Assembleia Legislativa podem ocorrer, e que Cadu, o escolhido da governadora, sairá vitorioso nesse embate.
