Desafios do Acesso ao Crédito na Indústria Potiguar
No Rio Grande do Norte, as altas taxas de juros se tornaram um grande entrave para o financiamento da indústria. Essa realidade foi confirmada pela Sondagem Especial sobre as Condições de Acesso ao Crédito na Indústria potiguar, realizada pela Unidade de Economia da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) em colaboração com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O relatório foi divulgado na última quinta-feira, dia 19.
De acordo com a pesquisa, 83% das indústrias enfrentam dificuldades na contratação de crédito de curto ou médio prazo devido ao custo financeiro elevado. A situação é ainda mais crítica quando se trata de financiamentos de longo prazo, onde 100% das empresas consultadas identificaram os juros como o principal obstáculo. João Lucas Dias, economista da Fiern, destaca que este cenário reflete um ambiente de crédito extremamente restritivo em um contexto de política monetária contracionista, que encarece o capital e desestimula investimentos produtivos.
Burocracia e Garantias: Barreira Adicional
Além dos custos elevados, a burocracia se destaca como uma importante barreira. As exigências de garantias reais foram mencionadas por 33% das indústrias para operações de curto e médio prazo e por 50% para financiamentos de longo prazo, que também exigem a elaboração formal de projetos de investimento. Devido a essas dificuldades, uma parte considerável das empresas optou por não buscar financiamento: 63% não procuraram crédito de curto ou médio prazo, enquanto 77% decidiram não recorrer a linhas de longo prazo.
Quando o crédito é contratado, ele é, em sua maioria, direcionado para a modernização produtiva. Metade das indústrias que tomaram empréstimos de curto e médio prazo utilizou os recursos para aquisição de máquinas e equipamentos, enquanto 33% destinaram os valores para o pagamento de obrigações tributárias e previdenciárias e 17% para capital de giro. No caso dos financiamentos de longo prazo, todos os recursos foram voltados para investimentos em máquinas e equipamentos, indicando uma ênfase em aumentar a produtividade e renovar o parque fabril.
Fontes de Financiamento e Aprovação de Crédits
Os bancos de desenvolvimento se destacam como as principais fontes de financiamento para a indústria. Eles foram utilizados por 50% das empresas nas operações de curto e médio prazo, e por 100% nas de longo prazo. Em muitos casos, as indústrias também complementaram os recursos com financiamentos de bancos comerciais. Em relação à aprovação dos créditos, 66% das indústrias conseguiram obter exatamente o valor solicitado para operações de curto e médio prazo, e 17% receberam um montante superior ao pleiteado. Contudo, para financiamentos de longo prazo, apenas metade das empresas conseguiu os recursos totais desejados.
Custos Tributários e Impacto nas Decisões Empresariais
A pesquisa ainda revela que os custos tributários influenciam diretamente as decisões de contratação de crédito. Para metade das empresas, a redução de encargos administrativos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), seria a principal medida para facilitar o acesso ao crédito. Outros 33% das indústrias sugerem a ampliação de linhas de crédito públicas e a simplificação das exigências bancárias. O aumento do IOF já teve um efeito palpável nas decisões empresariais: 33% das indústrias relataram ter sido negativamente impactadas, com 18% desistindo de contratações e 15% reduzindo o valor solicitado.
Endividamento e Alternativas de Financiamento
Além disso, a pesquisa mostra que 30% das indústrias consideram estar no limite desejável de endividamento, enquanto 22% afirmam estar acima do nível considerado adequado. Modalidades alternativas de financiamento ainda apresentam baixa adesão, com apenas 11% das indústrias utilizando operações de risco sacado nos últimos 12 meses, e 67% não demonstrando interesse em recorrer a esse formato.
A avaliação da Fiern é clara: os elevados custos do capital, combinados com a carga tributária e a burocracia, restringem a capacidade de investimento da indústria potiguar e limitam o potencial de expansão da atividade produtiva no Estado.
