Uma Viagem Cultural Através da Animação
Previsto para estrear nos cinemas ainda em 2023, “A Lenda de Keya” se destaca como o primeiro longa-metragem de animação cearense a explorar as nuances da cultura indígena e os conceitos de pertencimento, tudo isso entrelaçado com diálogos em tupi. Esta produção inovadora traz no elenco o ator Silvero Pereira, conhecido por seu trabalho em “Bacurau”, que empresta sua voz a um dos personagens centrais.
Dirigido por Claudio Martins, o filme narra a história de Ana, dublada por Itauana Ciribeli. A menina, que enfrenta a difícil realidade de não conseguir uma adoção, estabelece uma conexão especial com uma tartaruga. Quando a tartaruga é levada por uma ONG, Ana decide fugir do orfanato para resgatar seu único laço afetivo. Ao lado do amigo Iacatan, interpretado por Silvero, a protagonista embarca em uma jornada repleta de encantos, mistérios e aventuras que prometem cativar o público.
A Descoberta de Raízes Indígenas
Segundo o diretor, a ideia para o projeto nasceu após sua mudança para a região da Serra da Ibiapaba, no Norte do Ceará, onde sua avó materna viveu. Esse período de imersão na cultura local o levou a descobrir sua própria ascendência indígena. “É fundamental que essa narrativa seja tratada com respeito e responsabilidade. Mesmo tendo ascendência indígena, meu intuito não foi falar sozinho sobre o tema. Busquei apoio de especialistas que detêm vivência e autoridade cultural sobre o assunto”, destacou Martins em um comunicado à imprensa.
A produção foi enriquecida pela consultoria do autor indígena e ativista Daniel Munduruku, que ajudou no desenvolvimento do roteiro e na construção dos símbolos visuais presentes no filme. Para os grafismos, foram convocados os artistas do povo Pitaguary, Thalia Yanza e Leandro Vieira. Além disso, o povo Anacé Kauype participou ativamente, contribuindo com a captação de sons da natureza, o que adiciona uma camada autêntica à experiência auditiva do filme.
Desafios Linguísticos e Criativos
Um dos desafios enfrentados pela equipe criativa foi a tradução de trechos do roteiro do português para o tupi. Esse trabalho meticuloso foi realizado sob a orientação do professor e doutor Tom Finbow, um pesquisador respeitado na área e membro de um grupo de estudos dedicado ao tema. Essa atenção aos detalhes linguísticos não só enriquece a narrativa, mas também reflete um compromisso com a autenticidade cultural, essencial para uma obra que se propõe a dialogar com as tradições indígenas.
Com uma trama envolvente e uma abordagem respeitosa às culturas nativas, “A Lenda de Keya” não é apenas um filme de animação; é uma celebração da identidade indígena que pode ressoar com públicos de todas as idades. À medida que a estreia se aproxima, as expectativas aumentam, e o filme promete ser um marco na cinematografia cearense, trazendo à tona temas importantes e muitas vezes negligenciados sobre pertencimento, amizade e a redescoberta de raízes.
