Mudanças no Cenário Político do Rio de Janeiro
O governador Cláudio Castro está enfrentando sérias acusações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde é investigado por abuso de poder político e econômico. Ele é acusado de ter utilizado cerca de R$ 1 bilhão provenientes da privatização da companhia de água e esgoto para financiar a compra de apoio político durante sua campanha ao governo em 2022.
Recentemente, o Palácio Guanabara nutria a expectativa de que o senador Flávio Bolsonaro atuaria com firmeza junto aos ministros do STF, Kassio Nunes e André Mendonça, para garantir a absolvição de Castro. Ambos os ministros foram indicados ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente encontra-se preso, e fazem parte do TSE.
Por esse raciocínio, a expectativa do grupo político de Castro era de que o ministro Antônio Carlos Ferreira votasse contra a cassação, devido à proximidade de Ferreira com Kassio Nunes. Contudo, o panorama político se alterou nas últimas semanas, e a expectativa agora é de que Castro não consiga contar com o apoio de Ferreira, o que agrava sua situação no tribunal. Informações indicam que Kassio Nunes não se empenhou para ajudar Castro, contrariando as expectativas do Palácio Guanabara, o que acaba afetando diretamente Flávio Bolsonaro.
Motivações de Flávio Bolsonaro
A desconfiança quanto ao interesse de Flávio na cassação de Castro é alimentada por dois fatores principais. O primeiro deles é a resistência de Castro em abrir mão de sua posição em favor do candidato de Flávio, especialmente considerando que Castro pode se descompatibilizar para concorrer ao Senado. O governador deseja que seu secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, complete seu mandato, o que não é bem visto por Flávio.
No segundo aspecto, a ocupação de uma vaga no Senado também está em jogo. O clã Bolsonaro teme que, caso eleito, Castro não se comprometa com um eventual impeachment de ministros do STF, o que leva a uma pressão política por parte de Flávio para garantir que a vaga fique sob seu controle. Atualmente, há constante especulação sobre quem poderia substituir Castro, o que é percebido como uma tática de pressão. Recentemente, a possibilidade de Flávio lançar sua esposa à candidatura no Senado para preservar o sobrenome Bolsonaro foi discutida.
Reações e Táticas no Palácio da Guanabara
Embora assessores de Flávio tenham negado qualquer manobra para prejudicar Castro, um deles comentou que “o que Cláudio Castro precisa entender é que deve entrar na negociação com Flávio mais disposto a ouvir do que a falar. Um tem um horizonte de poder, enquanto o outro enfrenta investigações que podem complicar ainda mais sua situação”. Esse comentário faz alusão a investigações que envolvem o governo de Castro, incluindo casos como o RioPrevidência e Refit.
Por outro lado, auxiliares de Castro se manifestam com descontentamento em relação à família Bolsonaro. Um membro da equipe de Castro afirmou que o governador possui autonomia e que, nas pesquisas de intenção de votos para o Senado, ele se apresenta à frente de Flávio. Para ele, os movimentos da família Bolsonaro não causam surpresa, visto que consideram o clã inseguro e focado em seus próprios interesses.
A tensão entre os dois políticos reflete um campo de batalha político que se intensifica à medida que se aproxima o período eleitoral. O desenrolar dessa situação pode ter implicações significativas nas futuras estratégias de ambos os lados e na política do Rio de Janeiro como um todo.
