Expectativas para a Safra 2025/26
O agronegócio brasileiro continua sua trajetória de crescimento e, para 2026, as previsões indicam um novo recorde na safra de grãos. De acordo com o 3º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total deve alcançar 354,4 milhões de toneladas, representando um aumento de 0,6% em comparação ao ciclo anterior. A soja se mantém como a principal cultura, com uma produção estimada de 177,1 milhões de toneladas, um incremento de 3,3%. Por outro lado, a produção de milho deve recuar para cerca de 138,9 milhões de toneladas, apresentando uma queda de 1,5%. Juntas, essas culturas representam 89% da produção total.
Esse crescimento projetado deve-se, em grande parte, à expansão da área cultivada, que aumentou 3,0%, alcançando 84,2 milhões de hectares. No entanto, a produtividade média deve cair 2,3%, ficando em 4,2 toneladas por hectare. Essa realidade destaca a importância de tecnologias avançadas e manejos integrados para garantir a eficiência e a sustentabilidade da produção.
Desafios Econômicos e Necessidade de Gestão
Apesar das boas perspectivas, o cenário macroeconômico apresenta desafios consideráveis. As taxas de juros permanecem elevadas, com a Selic próxima de 15%, dificultando o acesso ao crédito e aumentando a inadimplência entre os produtores rurais. Muitos enfrentam dificuldades para gerenciar suas dívidas e, consequentemente, estão reduzindo investimentos, o que pode limitar os ganhos de produtividade esperados.
Além disso, a Reforma Tributária em andamento trará novas obrigações fiscais, exigindo uma rápida adaptação dos agricultores para evitar custos adicionais que poderiam impactar negativamente a atividade agropecuária. Dentro desse contexto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta um crescimento modesto do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em 2026. Essa realidade reforça a necessidade de disciplina financeira e a adoção de ferramentas de gestão de risco, como o hedge e o seguro rural, para mitigar possíveis perdas.
Desenvolvimento Sustentável e Inovação
A Conferência das Partes (COP30), realizada recentemente em Belém, enfatizou a importância das questões climáticas para o futuro do Brasil. Segundo um levantamento da PwC, 56% dos líderes do agronegócio consideram as mudanças climáticas como a principal ameaça aos seus negócios. O evento também proporcionou ao Brasil a oportunidade de apresentar iniciativas agrícolas sustentáveis, como os sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta, a agricultura de baixo carbono e o uso de biocombustíveis.
Essas práticas demonstram a capacidade do país em conciliar a produção de alimentos, fibras e bionergia com a preservação ambiental. O Brasil, com suas vantagens climáticas, reforça sua imagem como um fornecedor responsável no cenário global, o que pode abrir novas portas para o agronegócio no cenário internacional.
