Allyson Bezerra Lança Pré-Candidatura ao Governo em Meio a Investigações da PF
No último sábado, 7, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), oficializou sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte. O anúncio ocorreu durante um evento intitulado “Futuro do RN”, promovido por aliados políticos, incluindo figuras proeminentes como a senadora Zenaide Maia e o ex-governador Robinson Faria. O deputado Hermano Morais também foi indicado como seu candidato a vice-governador. Este lançamento acontece em um cenário delicado, marcado por investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Mederi, que apura denúncias de desvio de recursos da saúde pública em Mossoró.
A pré-candidatura de Allyson Bezerra vem à tona em meio a um intenso escrutínio judicial. Segundo a PF, ele e o vice-prefeito Marcos Bezerra (PSD) são apontados como líderes de um esquema criminoso que desviava verbas destinadas à saúde, utilizando contratos com empresas fornecedoras de medicamentos. As investigações, que tiveram início com a operação desencadeada em 27 de janeiro, revelaram um quadro alarmante de corrupção no município.
O evento de lançamento da candidatura, que contou com a presença de diversos políticos e lideranças da região, foi uma estratégia da equipe de Allyson para conter as repercussões negativas das investigações. Originalmente, o plano era formalizar a candidatura apenas em março, após sua renúncia ao cargo de prefeito, mas a decisão foi antecipada para minimizar os danos à imagem do político.
Operação Mederi e as Revelações de Corrupção
A Operação Mederi, de acordo com documentos judiciais, revelou a existência de um esquema que visava acumular propinas para financiar campanhas eleitorais futuras de Allyson e Marcos Bezerra. A decisão do desembargador federal Rogério Filho, do TRF-5, detalhou diálogos entre os empresários envolvidos, onde discutiam a melhor forma de armazenar o dinheiro desviado para utilizar nas campanhas. Um dos sócios da DisMed, uma das empresas investigadas, chegou a sugerir: “Vai tirando esse dinheiro e guardando. Quando for no final, quando for pra começar tá aqui MARCOS, aqui é um extra pra você”.
Os diálogos interceptados pela Polícia Federal reforçam a ideia de que parte das propinas, que inclusive mencionam valores como R$ 100.000,00, estava sendo destinada para fortalecer as campanhas eleitorais de Allyson. Essa revelação, segundo o magistrado, não deixa espaço para dúvidas sobre os planos dos envolvidos para perpetuar seu poder político. O depoimento de um dos empresários, que preferiu não se identificar, explicou: “É um cuidado, não porque ninguém pode saber não….” Referindo-se ao esforço para manter as atividades em sigilo.
Busca e Apreensão da Polícia Federal
A Operação Mederi resultou em 35 mandados de busca e apreensão em várias cidades potiguares, como Mossoró, Serra do Mel e Tibau. Durante a ação, a PF apreendeu R$ 219 mil divididos em sete locais, além de celulares e outros dispositivos que podem trazer novas evidências. Um empresário de Serra do Mel, relacionado a empresas envolvidas no esquema, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
Além disso, medidas cautelares foram impostas ao grupo, incluindo o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar sete indivíduos investigados. Essas ações visam garantir que os envolvidos respondam pelo que foi apurado e que novos crimes não sejam cometidos durante o processo judicial.
Enquanto a pré-candidatura de Allyson Bezerra se destaca no cenário político do Rio Grande do Norte, as investigações da Polícia Federal continuam a avançar, colocando em xeque a integridade do prefeito e de seus aliados. A proximidade entre política e corrupção levanta questões cruciais sobre a ética no serviço público e a confiança da população em seus representantes.
