Aumento nas Estatísticas de Violência
No ano de 2025, o Rio Grande do Norte registrou 874 mortes violentas, refletindo um aumento de 16,53% em comparação a 2024, que contabilizou 750 ocorrências. Este crescimento marca uma mudança no cenário após quatro anos consecutivos de queda nas estatísticas de mortes violentas intencionais no estado. Os dados são oriundos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Apesar do crescimento, o número de mortes ainda é considerado um dos mais baixos desde 2011, apresentando uma redução de 62,6% em relação ao ano mais violento da história do estado, que foi 2017, com 2.272 ocorrências. Segundo informações do MJSP, organizadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed-RN), os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios (roubo seguido de morte) e lesões corporais seguidas de morte apresentaram uma queda significativa entre 2020 e 2024.
Análise das Quedas e o Crescimento Recente
Durante o período de 2020 a 2024, o estado observou uma diminuição contínua nos registros de crimes violentos, saindo de 1.356 em 2020 para 750 em 2024, o que representa uma redução de 44,7%. Essa tendência de declínio foi acentuada em 2024, que viu uma diminuição de 21,1% em relação ao ano anterior, com 950 casos. Contudo, o panorama mudou em 2025, quebrando essa sequência de queda.
Paulo Pinheiro, presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Carcerária da OAB/RN, opinou que o recente aumento nas mortes violentas não compensa a redução significativa observada nos anos anteriores. Ele comentou: “Não considero que isso fuja dos parâmetros de queda dessas ocorrências ao longo dos anos. O crime tem se tornado mais organizado e, com o aumento das organizações criminosas, isso acaba refletindo nos dados. Porém, eu vejo isso como uma porcentagem mínima comparada ao decréscimo registrado ao longo dos anos”.
Investimentos em Segurança e Mudanças nas Estatísticas
Paulo Pinheiro também destacou que o estado tem investido em segurança pública, com melhorias nas forças policiais e na infraestrutura do sistema prisional, além da abertura de novos concursos. Esses investimentos têm um papel importante na contenção da criminalidade, segundo ele.
Entre 2024 e 2025, o Rio Grande do Norte também viu um aumento no número de feminicídios, que subiram de 19 para 21 (10,52%), e homicídios dolosos, que passaram de 636 para 827 (30,03%). Em contrapartida, as vítimas de latrocínio diminuíram de 23 para 15 (-34,78%), assim como as lesões corporais seguidas de morte, que caíram de 72 para 11 (-84,72%).
Ocorrências Policiais e Tendências Regionais
De acordo com o painel de Divulgação de Indicadores de Violência e Criminalidade no RN, as ocorrências mais registradas pela Polícia Civil em 2025 foram estelionato (24.897), furto (21.604), ameaça (14.758), roubo (9.040) e injúria (6.419). Por sua vez, a Polícia Militar registrou 6.900 casos de perturbação do sossego, 6.673 pedidos de policiamento e 3.727 ocorrências de violência doméstica.
A tendência de queda observada desde 2017 se refletiu também nas duas principais cidades do estado. Natal, por exemplo, viu uma redução de 73,9% em relação ao seu ano mais violento, 2013 (579 homicídios), com 151 mortes em 2025. Mossoró, por outro lado, atingiu um número histórico de 79 mortes violentas em 2025, marcando uma diminuição de 66,8% frente ao pico de 258 homicídios em 2017.
A Importância de Uma Análise Sociológica
Francisco Augusto Cruz, especialista em segurança pública e sistema prisional, observa que 2025 trouxe um cenário de “estabilização e melhora gradual” na segurança pública do estado, mas alerta para a necessidade de uma análise mais profunda. “A violência é um reflexo de desigualdades sociais, transformações urbanas e fragilidades na proteção social. O RN enfrenta desafios significativos, especialmente em regiões periféricas e com menor presença de políticas públicas estruturantes”, afirma.
Ele acrescenta que o fato de o Rio Grande do Norte ter o segundo menor número de crimes violentos desde 2011 evidencia mudanças no padrão da violência no estado. “Houve um fortalecimento da capacidade estatal de regulação dos conflitos violentos, seja pela ação policial ou por reorganizações internas do crime”, finaliza.
