Fatores que Impactaram o Emprego em Mossoró
No último sábado, o Blog do Barreto divulgou dados alarmantes sobre a situação do emprego em Mossoró, que se destaca negativamente em relação ao Rio Grande do Norte e ao Brasil. Em 2025, a segunda maior cidade do estado perdeu 1.393 vagas de trabalho, tornando-se a capital potiguar do desemprego. Este cenário foi impulsionado, principalmente, pela drástica redução de 2.594 postos no setor de serviços, o que anulou o crescimento em setores como agropecuária, indústria e construção civil.
Para entender as razões por trás dessa situação, o Blog do Barreto conversou com o professor Leovigildo Cavalcanti, do Departamento de Economia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Segundo ele, a queda acentuada no setor de serviços está relacionada a um processo de reestruturação do mercado de trabalho. “O que estamos vendo é que o mercado exige cada vez mais mão de obra qualificada, e nossa oferta ainda é insuficiente. Apesar do volume de empregos, há uma inadequação entre a demanda e a capacitação disponível”, comentou.
Leovigildo destacou que Mossoró apresenta um crescimento significativo em áreas que antes não eram exploradas, como gastronomia de alta qualidade e construção civil. No entanto, esses setores estão enfrentando dificuldades para encontrar mão de obra qualificada, especialmente nas áreas de mecânica, eletrotécnica e biossegurança. Ele também ressaltou a necessidade de formação mais adequada para atender a essas novas demandas do mercado.
“As novas oportunidades estão surgindo, mas não estamos conseguindo preencher os cargos devido à falta de qualificação. O cenário do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) reflete essa necessidade de uma mão de obra mais bem preparada, em virtude das mudanças estruturais que estão ocorrendo”, explicou o professor. Para ele, o que se observa em Mossoró é um fenômeno de desemprego estrutural, onde há um descompasso entre o avanço tecnológico e a capacitação dos trabalhadores.
Em suas considerações, Leovigildo enfatizou a necessidade de uma intervenção significativa por parte do setor público para mitigar esse quadro negativo. “A sustentabilidade desse crescimento depende de uma sincronia entre o padrão de mão de obra que o mercado exige e a formação que ainda não foi percebida pelas entidades responsáveis. É fundamental que o setor público, incluindo universidades e centros de formação, reconheça essa lacuna entre oferta e demanda no mercado de trabalho”, afirmou.
O professor também ressaltou que a perda de empregos não está diretamente ligada à saída da Petrobras, uma vez que o mercado local já se adaptou a essa mudança. “Estamos testemunhando uma nova dinâmica econômica se formando, e a adaptação do mercado a essas novas exigências é crucial para a recuperação do emprego em Mossoró”, concluiu.
