Desaceleração Econômica e Geração de Empregos no RN
Entidades empresariais e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec) concordam que a diminuição na criação de empregos formais em 2025 se deve a um cenário econômico desfavorável, caracterizado por altas taxas de juros, um crescimento mais lento e a perda de dinamismo em setores dependentes do consumo e investimento. Apesar disso, observam que o saldo positivo acumulado durante o ano revela a resiliência da economia potiguar, mesmo em um contexto nacional lento.
O estado terminou o ano com 15.870 novas vagas, número que, embora positivo, representa a menor quantidade de empregos gerados desde o início da pandemia de covid-19, refletindo uma queda superior a 50% em relação ao ano anterior, quando foram criados mais de 34 mil postos formais.
Hugo Fonseca, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do RN, observa que a performance do mercado de trabalho potiguar está alinhada com a tendência nacional. Ele explica que a política monetária restritiva do Banco Central, adotada para conter a inflação, impactou diretamente a economia. “O Brasil, que crescia em torno de 3,4% em 2024, agora apresenta uma desaceleração”, afirma.
Perspectivas para Comércio e Serviços
A Fecomércio RN também corrobora esse diagnóstico. O presidente da entidade, Marcelo Queiroz, destaca que, embora os setores de comércio e serviços tenham sido os principais responsáveis pela geração de empregos no estado em 2025, o total foi significativamente inferior ao do ano anterior. Ele relaciona esse resultado à desaceleração da economia local, que teve um crescimento projetado de 6% em 2024, mas que caiu para cerca de 2% em 2025.
Além do cenário nacional, a Fecomércio aponta fatores locais que exerceram influência direta sobre os setores que representa. Entre esses fatores, estão o aumento da carga tributária e as altas taxas de juros, bem como a concentração do crescimento econômico na capital, o que limita a expansão do consumo em municípios do interior. “O desempenho do comércio e dos serviços depende fortemente da economia local, e quando as áreas rurais se desenvolvem menos, o impacto é mais profundo”, afirma Queiroz.
Ele também ressalta que os desafios para o crescimento incluem questões relacionadas à infraestrutura, como rodovias e saneamento, além da necessidade de segurança jurídica para investimentos. “Esses aspectos precisam ser abordados com seriedade pelo poder público”, acrescenta.
Os Desafios da Indústria
No setor industrial, a situação não é diferente. O Observatório da Indústria Mais RN, vinculado à FIERN, revelou que, embora 2025 tenha registrado um saldo positivo de empregos, a geração de novas vagas perdeu força. O assessor técnico Pedro Albuquerque apontou que a produção e a criação de empregos na indústria estão interligadas.
“A queda na produção, especialmente nas áreas de petróleo e gás, e a estabilização em segmentos como indústrias extrativas (+0,78%) e alimentos (+0,74%) indicam que, mesmo com um resultado positivo em 2025, a realidade é pior em comparação a 2024”, destaca ele.
Dados do IBGE relatam que a produção industrial potiguar caiu 2,3% em novembro de 2025 em relação ao mesmo mês do ano passado, com uma retração acumulada de 11,8% entre janeiro e novembro. O estudo constatou que pequenas e microindústrias vêm enfrentando dificuldades desde outubro de 2024, com índices de confiança em baixa.
O Setor Agropecuário e Suas Oportunidades
A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern) enfatiza que o setor agropecuário demonstra maior estabilidade, mesmo diante da desaceleração econômica, e mantém um saldo positivo na geração de empregos. O presidente da entidade, José Vieira, ressalta que as áreas de cultivo e colheita, especialmente a fruticultura irrigada no Vale do Açu e no Oeste potiguar, têm se destacado na demanda por mão de obra ao longo do ano.
Contudo, Vieira observa que as oscilações mensais refletem a sazonalidade das atividades agrícolas, com retrações em dezembro devido à conclusão de contratos temporários após as colheitas. A pecuária, embora mantenha estabilidade, enfrenta desafios na criação líquida de novos postos de trabalho.
Para Vieira, é essencial promover a valorização do trabalho rural, estimulando vínculos mais duradouros e previsíveis, além de buscar a qualificação profissional alinhada às demandas do setor. Ele também defende que melhorias na infraestrutura rural são cruciais para reduzir custos e aumentar a competitividade das atividades agropecuárias.
