Críticas à Gestão Municipal e Desvios de Recursos
A recente operação da Polícia Federal que investiga o desvio de recursos destinados à saúde pública de Mossoró gerou forte reação entre os opositores na Câmara Municipal. O vereador Cabo Deyvison (MDB) declarou que a cidade se transformou em “a casa dos escândalos de corrupção”, atribuindo a responsabilidade política ao prefeito Allyson Bezerra (UB). Segundo a PF, o esquema em questão envolve a apropriação indevida de aproximadamente R$ 14 milhões através do direcionamento de contratos.
Deyvison argumenta que esta ação não é um evento isolado, mas sim um reflexo de uma série de denúncias que têm surgido contra a administração atual. O parlamentar menciona que, além dos desvios na saúde, existem indícios de irregularidades em obras e contratos administrativos.
“Não é apenas minha opinião. A Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União e o Judiciário já apontaram indícios de autoria e corrupção, além da prova do desvio de recursos públicos. Em Mossoró, existe um esquema que envolve compra e recebimento de pagamentos pela Prefeitura. A cidade virou um reduto de corrupção”, enfatizou Deyvison. Ele também referiu-se a investigações relacionadas a licitações de obras estruturantes e contratos de aluguel, que, segundo ele, apresentam preços inflacionados.
Denúncias de Aberrações em Licitações
O vereador ainda destacou propriedades pertencentes a Oseas Monthalggan, proprietário da Dismed, e afirmou que, caso as irregularidades se confirmem, os bens adquiridos com recursos públicos “terão que ser devolvidos ao povo”. Ele mencionou outros episódios semelhantes na Prefeitura de Mossoró, reforçando a gravidade da situação.
Deyvison criticou declarações recentes do prefeito Allyson Bezerra, que afirmou que obras como o CETEC, o Anel Viário e o Hospital Municipal foram realizadas por meio de licitações eletrônicas. “Isso é mentira! O que ocorreu foi licitação presencial, o que facilita direcionamentos e fraudes. Ele se valeu da antiga lei 8666, que ainda permitia esse tipo de prática”, denunciou o vereador. A investigação sobre o Estação Natal, onde indícios de superfaturamento na decoração natalina estão sendo avaliados pelo Ministério Público, também foi mencionada.
“E se ainda precisarmos de mais evidências? O contrato para o gabinete institucional localizado no condomínio Manhattan Business custou à Prefeitura R$ 10.600. Uma rápida pesquisa na OLX revela que o mesmo espaço está disponível para locação por apenas R$ 3.000. A Prefeitura de Mossoró pagou um calção de R$ 31,8 mil adiantado”, acrescentou.
Possíveis Ocultações de Recursos Públicos
Deyvison trouxe à tona denúncias que chegaram até ele e circularam nas redes sociais, sugerindo que parte do dinheiro desviado poderia estar escondida em terrenos associados à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). O vereador manifestou seu compromisso em investigar a fundo, afirmando que recebeu informações sobre valores possivelmente enterrados como forma de encobri-los, até mesmo em caixas de máscaras hospitalares.
“Quando recebo denúncias sobre a falta de medicamentos, vou ao posto de saúde. Da mesma forma, se há relatos sobre dinheiro público enterrado em qualquer terreno, é meu dever averiguar. Não vou ignorar, não vou me omitir”, declarou ele.
Deyvison reforçou a conexão entre as suspeitas e o volume considerável de recursos em análise pela Polícia Federal. Desde 2021, o total apurado chega a R$ 13,8 milhões. De acordo com o relatório da PF, há um esquema de divisão dos valores desviados. “Se a rachadinha, como descreveu a PF, for confirmada, isso representa 50%, ou seja, R$ 7 milhões”, revelou.
