Análise da Redução dos Preços da Gasolina
A recente diminuição de 5,2% no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras, válida desde a última terça-feira (27), levanta questionamentos sobre como essa mudança afetará o mercado no Rio Grande do Norte. Especialistas consultados pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE afirmam que, embora haja uma expectativa de que as refinarias tentem ajustar seus preços para manter a competitividade, a redução não necessariamente se refletirá de forma significativa para o consumidor.
Com a nova medida, o preço médio de venda da estatal às distribuidoras caiu para aproximadamente R$ 2,57 por litro, resultando em uma diminuição de R$ 0,14. Para o economista Breno Roos, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), essa decisão é influenciada por dois fatores principais: a estabilidade no preço do barril de petróleo no mercado internacional e a desvalorização do dólar. Dado que o Brasil é amplamente dependente da importação de derivados de petróleo, a queda da moeda norte-americana torna a aquisição desses combustíveis mais econômica.
Roos explica que o impacto da redução nos preços dos combustíveis depende do modo como as refinarias e distribuidoras reagirão. “É necessário observar o efeito da concorrência, pois a forma como as distribuidoras repassam a redução pode variar. A cadeia de distribuição inclui desde a refinaria até os postos de gasolina, o que significa que a avaliação do impacto no preço final dependerá das decisões dos distribuidores”, ressalta.
O economista também menciona que a Refinaria Clara Camarão deverá ajustar seus preços para evitar defasagens em relação à Petrobras. Contudo, ele observa que essa refinaria tem se concentrado mais na produção de outros derivados, como o querosene de aviação, o que pode influenciar o escoamento de combustíveis em geral.
Maxwell Flor, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos/RN), fornece uma perspectiva similar ao afirmar que os efeitos da redução no Rio Grande do Norte provavelmente não serão acentuados. Ele aponta que a maior parte dos postos do estado obtém seus suprimentos diretamente das distribuidoras que adquiriram gasolina da Refinaria Clara Camarão. Como essa unidade é privada, os preços tendem a seguir a paridade internacional, ao contrário da Petrobras, que se afastou dessa prática.
Neste contexto, Flor destaca que há uma pequena proporção de postos que importam combustíveis de estados vizinhos, como Paraíba e Pernambuco, e que esses locais poderiam ter a oportunidade de oferecer preços mais baixos devido à recente diminuição feita pela Petrobras. Apesar das previsões que apontam uma queda no preço médio da gasolina ao consumidor, de R$ 6,22 para R$ 6,08, Flor enfatiza que não é possível determinar exatamente quanto será o repasse no Rio Grande do Norte. Ele explica que isso depende das decisões de cada elo da cadeia de distribuição de combustíveis.
Os primeiros reflexos dessa redução devem ser visíveis na próxima semana, de acordo com Flor, mas estarão condicionados ao estoque das distribuidoras. Ele ainda prevê que a Refinaria Clara Camarão deverá realizar ajustes nos preços para se alinhar com o cenário do mercado internacional.
Por outro lado, o economista Janduir Nóbrega alerta que o barateamento dos preços finais dos combustíveis deve ocorrer de modo gradual, influenciado por variáveis como os estoques e a renovação das compras realizadas pelas distribuidoras. “Observamos que, quando há aumentos, eles ocorrem de forma rápida e sincronizada. No entanto, as reduções tendem a ser mais lentas e espaçadas no tempo”, afirma.
Sobre os possíveis efeitos da baixa nos preços da gasolina sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Roos menciona que é prematuro afirmar que isso resultará em uma queda da inflação em fevereiro, embora as projeções para o ano apontem para uma inflação em torno de 4%. Ele destaca que a economia brasileira atravessa um período favorável, com taxa de desemprego baixa e inflação sob controle, sendo a redução nos preços de combustíveis um fator que pode ajudar a estabilizar ainda mais os preços.
