A Complexidade Política da Sucessão
O atual debate sobre a sucessão no Governo do Rio Grande do Norte transcende as normais divergências políticas; revela um uso problemático da função pública que levanta preocupações sobre um eventual mandato-tampão. A decisão do Vice-Governador Walter Alves de não assumir o cargo após o período de desincompatibilização reflete uma série de avaliações sobre as complexas realidades políticas, eleitorais e fiscais que o estado enfrenta. Essas indefinições, que são legítimas do ponto de vista pessoal e político, acabam por influenciar o ambiente institucional, reforçando a necessidade de um debate público mais claro e responsável por parte de todos os envolvidos.
O Presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, reiterou sua intenção de buscar a reeleição ou um novo cargo, dependendo do direcionamento de seu partido e da opinião pública. Diante disso, é fundamental desmontar a narrativa que vem sendo construída, a qual sugere que não há interesse em governar o Rio Grande do Norte. A realidade é que, além de haver um forte desejo por conquistas políticas, muitos preferem focar na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Transformar essas escolhas pessoais em provas da ingovernabilidade do Estado é criar um factoide eleitoral que apenas serve para antecipar um clima de campanha e desqualificar um mandato tampão.
O Mandato Não É Simbólico
É essencial reconhecer que o tempo de governo em questão não é insignificante. Com desincompatibilizações marcadas para 4 de abril e o prazo legal para uma nova eleição indireta, a posse do novo governador pode ocorrer em torno de 4 de maio, resultando em aproximadamente oito meses de governo efetivo. Essa é uma duração que não pode ser desconsiderada.
A questão torna-se problemática quando esse período é tratado como uma mera peça tática. Surgem especulações sobre possíveis candidatos, não com a intenção de governar, mas para alimentar disputas, desgastar adversários e criar narrativas eleitorais. Chega-se a lançar factoides sobre a ocupação do cargo, como se o Governo do Estado fosse um espaço de provocações ou manobras políticas.
Impacto na Vida da População
Oito meses significam muito. Essa duração afeta diretamente o orçamento, a execução de políticas públicas, a relação com fornecedores, a continuidade de serviços essenciais e a vida cotidiana dos cidadãos. Desqualificar ou instrumentalizar esse período em prol de objetivos meramente eleitorais é ignorar a realidade do Estado e desconsiderar aqueles que dependem da regularidade da máquina pública.
Em um momento tão crítico, a prioridade do PT, que detém o mandato popular, deve ser a busca por um nome que tenha experiência, equilíbrio e respeito entre as diversas correntes políticas. É fundamental que essa figura seja capaz de conduzir o Estado com estabilidade e foco na gestão. Não se trata de uma expectativa extraordinária, mas sim do mínimo que se espera de um campo progressista unido.
A Oposição e a Guerra Eleitoral
A oposição, por sua vez, parece estar mais preocupada em caricaturar a guerra eleitoral, transformando o mandato tampão em uma trincheira política e um ensaio para a campanha. Entretanto, é crucial que se lembre que o cargo de Governador não deve ser um instrumento de retaliação política ou um palco para improvisações.
O mandato que está em vigor é um reflexo da vontade popular e deve ser tratado com seriedade, sobriedade e um compromisso firme até o seu último dia. O Rio Grande do Norte merece ser respeitado. Governar, afinal, não é uma tarefa simples.
