Protesto e pedidos de justiça em Mossoró
A morte de uma gata doméstica, ocorrida após sua captura em um condomínio fechado de Mossoró, está gerando revolta e protestos entre os moradores da região. O incidente, que ocorreu na Região Oeste do Rio Grande do Norte, levou os tutores do animal a registrarem um boletim de ocorrência na Polícia Civil, apontando falhas tanto na captura quanto na prestação de informações sobre o paradeiro do animal.
Na noite da última quarta-feira (14), familiares e amigos da tutora se reuniram para demonstrar sua indignação e cobrar uma investigação aprofundada sobre o caso. Eles alegam que a gata, chamada Lucy, pode ter sido mantida em condições inadequadas, sem acesso ao cuidado veterinário necessário durante várias horas, o que resultou em sua morte.
A família requisitou à polícia a investigação por possíveis crimes, incluindo apropriação indébita qualificada e maus-tratos a animais, uma vez que Lucy era um animal de estimação bem cuidado e identificado com coleira. Segundo os tutores, ela estava sem acompanhamento e morrendo de fome e sede ao ser mantida por tempo indeterminado sem acesso aos seus donos.
O que diz a administração do condomínio
A administração do condomínio, por sua vez, defende que todos os procedimentos de manejo foram seguidos de acordo com as diretrizes estabelecidas. Em nota, a empresa Emsuv, contratada para a captura de felinos, afirmou que o protocolo foi respeitado, com o acompanhamento de um médico veterinário e o transporte imediato da gata ao hospital veterinário após a identificação da gravidade do quadro de saúde.
Em contrapartida, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mossoró está acompanhando o caso e já protocolou um pedido de habilitação junto ao Ministério Público. A OAB manifesta preocupação com o que considera possíveis irregularidades nos cuidados prestados ao animal e com a falta de transparência nas informações a respeito da captura de Lucy.
Detalhes do caso e reações
A gata Lucy, da raça persa exótica, contava com aproximadamente sete anos e recebia cuidados veterinários regulares. Arizete Menezes, tutora do animal, ressaltou o carinho que a família tinha por Lucy, descrevendo-a como uma filha. O desaparecimento da gata foi notado no dia 9 de janeiro, e a família imediatamente contatou a administração do condomínio e a empresa responsável pela captura, mas não receberam informações precisas sobre seu paradeiro.
A captura de Lucy ocorreu em um programa do condomínio para remover gatos considerados comunitários, mas os tutores insistem que ela não se enquadrava nessa categoria. Após a situação, eles constataram que a gata havia sido hospitalizada e já se encontrava em estado crítico. O laudo veterinário, que foi disponibilizado a órgãos de controle, apontou que Lucy chegou à clínica com um quadro gravíssimo, incluindo problemas intestinais sérios.
Repercussão nas redes sociais
O caso ganhou destaque nas redes sociais, onde muitas pessoas expressaram solidariedade à família e críticas à administração do condomínio e à empresa de manejo. O Hospital Quatro Patas, que atendeu Lucy, também emitiu uma nota lamentando a morte da gata e reafirmando seu compromisso com o bem-estar animal.
A repercussão gerou um fortalecimento da demanda por melhorias no manejo de animais de estimação nas áreas urbanas e questionamentos sobre as práticas de captura e tratamento de felinos. A OAB, por sua vez, continua a acompanhar o desenrolar da investigação e a buscar justiça por Lucy e outros animais que possam estar em situações similares.
Atuando como um defensor do bem-estar animal, o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) também se manifestou, afirmando que está averiguando os fatos conforme suas atribuições legais, buscando garantir que a ética e a responsabilidade na medicina veterinária sejam respeitadas.
