Incidente Polêmico Durante Festividade Acadêmica
No último sábado, 10, um incidente chocante ocorreu na festa de formatura do curso de Medicina da Facene, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Um adolescente foi flagrado usando um traje nazista e fazendo a saudação associada a esse regime, o que rapidamente se espalhou pelas redes sociais através de fotos e vídeos que geraram indignação generalizada.
A saudação, que remete a Adolf Hitler, levantou questões sérias sobre a promoção de ideais nazistas, algo que é considerado crime no Brasil conforme a lei 7.716/89, que prevê punições de reclusão e multa para quem defende essa ideologia. No caso de um menor, as consequências são tratadas como ato infracional, podendo resultar em medidas socioeducativas, como advertências ou serviços comunitários.
A reportagem do Estadão já entrou em contato com a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, que ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. Enquanto isso, a Facene Mossoró emitiu uma nota de repúdio, expressando seu descontentamento em relação ao episódio. A instituição enfatizou que não esteve envolvida na organização da festa e que tal conduta é uma afronta à dignidade humana e aos valores democráticos.
A nota da faculdade destaca que a manifestação não se alinha aos princípios éticos, humanísticos e acadêmicos que regeram sua atuação. “Estamos colaborando com os organizadores para apurar os fatos e evitar a repetição de episódios semelhantes”, diz o comunicado. A Facene também sublinhou a responsabilidade dos pais ou responsáveis legais do garoto para que ele desenvolva uma formação ética e respeito aos direitos humanos.
Investigação em Andamento e Responsabilidade dos Organizadores
Até o momento, permanece incerto se o adolescente chegou à festa já vestido com o traje nazista ou se ele o trocou após entrar no evento. A Master Produções e Eventos, responsável pela organização da formatura, informou que o jovem chegou ao local acompanhado dos pais, às 23h, “sem qualquer vestimenta inadequada”. De acordo com a empresa, a troca de roupa para registros fotográficos foi feita sem o conhecimento da equipe organizadora.
O adolescente foi convidado por duas irmãs que se formaram. A Master Produções também se manifestou contra o ato, reforçando que a apologia ao nazismo é crime no Brasil. “Não compactuamos e não toleramos esse tipo de conduta em eventos que organizamos”, declarou a empresa. “Estamos tomando todas as medidas necessárias e nos disponibilizamos para colaborar em esclarecimentos adicionais”, complementou.
Esse incidente gerou um forte debate nas redes sociais sobre a responsabilidade de jovens em eventos sociais, além da necessidade de um acompanhamento mais atento por parte dos pais e da sociedade em relação à formação ética das novas gerações. Nos próximos dias, espera-se que as investigações avancem, trazendo mais esclarecimentos sobre como um episódio tão grave pôde ocorrer em um ambiente festivo.
Em suma, o caso ressalta a importância de um diálogo contínuo sobre educação e formação de valores, especialmente em tempos onde questões de intolerância e discriminação ainda estão presentes. O evento, que atraiu cerca de 1,8 mil pessoas, agora se torna um marco para reflexões sobre a responsabilidade coletiva em garantir um ambiente respeitoso e livre de discursos de ódio.
