Educação Integral e Desafios Sociais
A secretária estadual de Educação de Goiás, Fátima Gavioli, em recente entrevista, apresentou um panorama dos desafios enfrentados pela rede pública de ensino e os investimentos planejados para implementar a educação em tempo integral a partir de 2026. Gavioli discute as barreiras culturais que algumas famílias impõem ao modelo de educação integral e revela as táticas em curso para aumentar a permanência dos alunos nas escolas. Entre essas iniciativas, destacam-se o aumento do Bolsa Estudante e a criação de turmas integrais dentro de instituições regulares. Além disso, a secretária abordou questões sociais prementes que afetam o ambiente escolar, como o uso excessivo de celulares e o crescimento de jogos de apostas entre alunos e educadores, propondo que a taxação dos jogos seja uma solução para financiar áreas essenciais como educação, saúde e segurança.
Durante a conversa, Gavioli fez um balanço de sua gestão, ressaltando os esforços iniciais para organizar a secretaria nos primeiros anos e como a pandemia de 2020 transformou a abordagem educativa. Ela observou que o primeiro ano foi dedicado a colocar as contas em dia e a se adaptar às necessidades das famílias e crianças durante o isolamento social. A partir de junho de 2020, com as aulas on-line já estabelecidas, a secretaria aproveitou o fechamento das escolas para realizar melhorias na infraestrutura, como a troca de telhados e a construção de poços artesianos, mesmo diante de desafios financeiros agravados pela pandemia.
Retorno às Aulas e Ações de Segurança
Gavioli reconheceu que as aulas remotas foram adequadas apenas para a situação emergencial, mas não substituem a experiência de aprendizado presencial. “A convivência social e a interação com os colegas e professores são insubstituíveis”, afirmou. Em 2022, o retorno às aulas presenciais trouxe à tona uma onda de violência nas escolas, reflexo do período de isolamento e das tensões acumuladas. Para lidar com essa situação, o governo implementou medidas rigorosas, como a utilização de detectores de metais nas entradas das escolas e a responsabilidade dos pais em caso de condutas inadequadas dos alunos.
O foco na recomposição do aprendizado perdido durante a pandemia se tornou uma prioridade em 2023, com a introdução do programa “Revisa Goiás”, que visa orientar os professores e melhorar o desempenho dos estudantes. Gavioli explicou que, além de abordar questões pedagógicas, é fundamental disponibilizar atendimento psicossocial tanto para alunos quanto para educadores, o que começou a ocorrer em 2025.
Combatendo a Evasão e a Defasagem no Aprendizado
A evasão escolar, especialmente entre alunos de famílias vulneráveis, se tornou uma preocupação central após a pandemia. A secretária destacou a eficiência do Bolsa Estudante, que vincula o auxílio à frequência e ao desempenho dos alunos, resultando em uma queda significativa nas taxas de evasão. A alimentação escolar também foi um pilar importante. O governo aumentou o valor destinado à merenda, permitindo oferecer refeições de qualidade aos estudantes, o que, segundo Gavioli, é essencial para mantê-los na escola.
No âmbito pedagógico, uma das principais mudanças foi a reativação da formação contínua de professores e gestores. O Centro de Educação de Professores e Servidores foi reestabelecido para fornecer capacitações e aprimorar as práticas educacionais. Gavioli enfatizou que esse esforço resultou em um avanço significativo na alfabetização e na inclusão de alunos em cursos técnicos, preparando-os para o mercado de trabalho.
Compromisso com a Equidade e os Investimentos Futuros
Fátima Gavioli expressou sua esperança em ver Goiás continuar progredindo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e abordou a importância da equidade nas escolas. A secretária mencionou as disparidades observadas no censo escolar, especialmente em relação à representação de alunos de diferentes etnias e gêneros. “A escola precisa acolher todos, independentemente de raça ou orientação sexual”, afirmou, ressaltando a necessidade de um ambiente inclusivo e seguro para todos os estudantes.
Sobre os planos para 2026, Gavioli reconheceu a resistência cultural à educação integral em Goiás, mas reiterou o compromisso do governo em implementar modelos de ensino que favoreçam a pesquisa e os projetos de vida dos alunos. “Cremos que a educação integral pode proporcionar aos jovens uma experiência mais rica e prepará-los melhor para o futuro”, concluiu a secretária.
