Oportunidade de Financiamento no Agronegócio
Os recursos disponíveis pelo Plano Safra não são suficientes para atender às demandas do agronegócio brasileiro, uma conclusão amplamente compartilhada entre produtores e especialistas do setor financeiro. Essa visão foi reafirmada em um evento recente realizado em São Paulo, onde o foco da discussão girou em torno da importância dos investimentos privados para preencher a lacuna deixada pelos recursos públicos.
“Os Fiagros são a chave para a solução”, afirma Moacir Teixeira, sócio-fundador da Ecoagro, que oferece soluções financeiras para o agronegócio. A proposta dele é que a aproximação do setor rural com o mercado de capitais irá complementar as necessidades de financiamento a longo prazo.
No ano passado, o governo federal destinou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 89 bilhões para a agricultura familiar. Contudo, o volume de contratações ficou aquém do esperado. “O agronegócio não precisa apenas de dinheiro para custeio. É essencial que haja recursos a longo prazo para a organização e sustentabilidade das operações”, destaca Teixeira.
É nesse cenário desafiador que os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, conhecidos como Fiagros, surgem como uma alternativa viável para a captação de recursos no campo. Com a ampliação das opções de financiamento, os produtores rurais tendem a depender menos de crédito bancário convencional ou de linhas oficiais subsidiadas, como as oferecidas pelo Plano Safra.
Desmistificando os Fiagros no Mercado de Capitais
Muitos ainda associam o mercado de capitais a riscos elevados, como os enfrentados por aqueles que compram e vendem ações na bolsa de valores. No entanto, o modelo dos Fiagros atua como uma ponte entre os produtores que necessitam de recursos e os investidores que buscam retorno financeiro exposto ao agronegócio. Especialistas salientam que, apesar da volatilidade das commodities, essa flutuação deve ser vista como uma característica intrínseca ao mercado.
Teixeira ressalta que o diferencial dos Fiagros está na garantia de que “os recursos estarão disponíveis no momento certo”. Ele alerta, no entanto, que os riscos também estão relacionados à falta de organização em alguns segmentos, como o de hortifrútis. “O custo de implantação é elevado e muitos produtores não conseguem acessar esse tipo de financiamento diretamente”, explica. Por outro lado, as cadeias produtivas de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e café representam exemplos de maior organização no setor.
A solução apontada por Teixeira envolve a atuação de cooperativas e distribuidores. Para ele, é através dessa via que o mercado de capitais consegue financiar pequenos e médios produtores rurais. “Sozinho, o produtor não consegue, então essa é a alternativa viável”, complementa.
Um exemplo prático dessa abordagem é o CNA Fiagro, um fundo de microcrédito promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), focado em pequenos e médios produtores que recebem apoio da Assistência Técnica e Gerencial do Senar. Teixeira destaca que esse fundo representa “o financiamento mais acessível disponível no Brasil” quando comparado às linhas oferecidas pelo governo.
“O Pronaf e outros programas são repletos de burocracia. Contudo, com esse tipo de Fiagro, o produtor pode financiar diversas necessidades, tornando-se a palavra-chave para o financiamento no setor”, afirma Teixeira.
Desafios no Cenário Atual do Agronegócio
Apesar das oportunidades que os Fiagros oferecem, o agronegócio enfrenta um momento delicado, caracterizado pelo aumento dos pedidos de recuperação judicial e um crescimento preocupante na inadimplência. Dados recentes indicam que o níveis de endividamento dos produtores rurais estão em patamares alarmantes. “Estamos enfrentando uma batalha, mas seguimos em frente”, conclui.
