Novas Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro
O governo brasileiro acaba de finalizar importantes negociações fitossanitárias com a União Econômica Euroasiática, Japão e Nicarágua, que possibilitarão a exportação de uma nova gama de produtos agropecuários para esses mercados. Desde o início de 2023, a agenda de aberturas de mercado do agronegócio nacional já soma 507 iniciativas, refletindo a estratégia do país de diversificar destinos e ampliar seu portfólio de exportação, priorizando produtos com maior valor agregado.
No bloco da União Econômica Euroasiática, as autoridades fitossanitárias deram sinal verde para a exportação da castanha de baru. Essa oleaginosa, nativa do Cerrado brasileiro, é não apenas uma fonte de renda para as comunidades locais, mas também possui grande potencial de utilização alimentar, com sua polpa e amêndoas sendo comestíveis. O bloco, que abriga uma população superior a 183 milhões de habitantes e inclui países como Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, já importou mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários brasileiros apenas neste ano, destacando-se a soja, carnes e café.
Oportunidades no Mercado Japonês
Em relação ao Japão, as autoridades locais confirmaram a abertura do mercado para a importação de frutas congeladas e desidratadas do Brasil. Essa decisão amplia as oportunidades para produtos processados de maior valor agregado, em um cenário onde a demanda por frutas processadas tem mostrado crescimento constante, beneficiando tanto o varejo quanto a indústria alimentícia. O Japão, com cerca de 124 milhões de habitantes, importou mais de US$ 3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros no último ano.
A Nicarágua, por sua vez, autorizou a exportação de arroz beneficiado do Brasil. Com uma população de aproximadamente 6,9 milhões de habitantes, o país registrou um aumento de 8,5% nas importações de produtos agropecuários brasileiros, totalizando cerca de US$ 55 milhões entre janeiro e novembro deste ano.
Colaboração entre Ministérios e Expectativas para o Acordo Mercosul-UE
Essas conquistas são resultado de um trabalho colaborativo entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Este avanço ocorre em um contexto em que o Brasil mantém um foco especial nas negociações comerciais com parceiros estratégicos, especialmente a União Europeia. O governo brasileiro expressa otimismo quanto à assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, embora reconheça as preocupações em relação às novas salvaguardas adotadas pelo Parlamento Europeu, que podem restringir a exportação de produtos agropecuários da América do Sul.
Interlocutores em Brasília avaliam que estas novas propostas fazem parte de uma movimentação política interna na Europa, que visa facilitar a aprovação do acordo pelo Conselho Europeu. Contudo, fontes oficiais admitem que o resultado ainda é incerto. “Acreditamos firmemente que é um bom acordo e que deve ser assinado. O principal marco agora é a votação no Conselho Europeu, que decidirá se a comissão poderá avançar com a assinatura”, informou uma fonte envolvida nas tratativas. O clima de expectativa é palpável, com o governo mantendo diálogo constante com representantes europeus para acompanhar o progresso das negociações.
Desafios e Oportunidades Futuras
Apesar das preocupações geradas pelas novas salvaguardas, a maioria dos analistas acredita que os efeitos potenciais seriam de longo prazo. As novas regras estabelecem que uma investigação será aberta se as importações de produtos sensíveis aumentarem 5% em média ao longo de três anos. Os negociadores brasileiros consideram esse gatilho baixo, mas ainda estão cientes de que pode haver questionamentos jurídicos ou a necessidade de acionar mecanismos de reequilíbrio previstos no acordo.
Do ponto de vista do governo, a aprovação das novas salvaguardas tem um caráter essencialmente político e não deve desviar o foco do principal objetivo, que é a assinatura do acordo. “Os impactos concretos de possíveis mudanças só se manifestariam no longo prazo, se é que ocorrerão. O que realmente importa agora é garantir que a assinatura do acordo não seja inviabilizada”, concluiu uma fonte que preferiu manter o anonimato. “Cada fase traz seus desafios, e agora não é o momento de discutir regulamentações de um acordo que ainda não foi formalmente assinado.”
