Expansão do mercado imobiliário em Natal
O mercado imobiliário de Natal vive um momento de crescimento acelerado, impulsionado principalmente pela demanda por apartamentos funcionais e com valores acessíveis. Segundo dados do Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon-RN), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, o primeiro trimestre de 2026 registrou um aumento de 47% nas vendas de imóveis residenciais verticais na capital potiguar, enquanto os lançamentos cresceram 61%. A maior parte da oferta concentra-se em apartamentos de dois quartos, representando 65,7% do estoque disponível, e empreendimentos econômicos que somam 43,3% do total.
Impacto do programa Minha Casa, Minha Vida
Um dos fatores decisivos para esse avanço é a ampliação das faixas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que passou a contemplar famílias de classe média com renda de até R$ 13 mil. No primeiro trimestre deste ano, a Caixa Econômica Federal registrou 264 financiamentos habitacionais no âmbito do programa, com destaque para as faixas 3 e 4, que atendem essa parcela da população. Essa expansão facilitou o acesso à moradia, ampliando o mercado consumidor.
Para aproveitar essa oportunidade, a MDNE lançou em Natal o empreendimento Ún1ca Veredas Villa Park, composto por três torres residenciais com apartamentos de 45 m² e dois quartos. Localizado na região estratégica da Avenida Ayrton Senna, entre Capim Macio, Ponta Negra e Neópolis, o projeto visa atender a demanda reprimida por imóveis funcionais e acessíveis, conforme explica Wescley Magalhães, gerente de Incorporação da MDNE no RN.
Preço e condições facilitadas para o comprador
Renata Melo, gestora comercial da MRV no RN, destaca que o momento positivo do mercado acompanha o crescimento populacional da Região Metropolitana e o aumento da renda familiar, além das novas condições do MCMV. Os imóveis contam com entrada a partir de R$ 230 e prestações que começam em R$ 500, variando conforme o financiamento e a faixa do programa. Os apartamentos de dois quartos representam um equilíbrio ideal entre custo e funcionalidade, atendendo desde famílias pequenas até compradores solteiros, dentro dos limites permitidos pelo programa.
Para o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do RN (CRECI-RN), Roberto Peres, as linhas de crédito oferecidas pelo MCMV contribuem para ampliar as possibilidades do mercado, com juros nominais de até 10%, prazos de financiamento estendidos para até 420 meses e valores que alcançam imóveis na faixa dos R$ 500 mil, focados na classe média.
Confiança do mercado e desafios do setor
Francisco Ramos, vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sinduscon-RN, atribui o crescimento do setor, além da expansão do programa Minha Casa, Minha Vida, à maior confiança dos compradores. Ele observa que as construtoras responderam ao aumento da demanda com mais lançamentos, especialmente focados na classe média e no segmento econômico.
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Por outro lado, Ramos ressalta que a renda das famílias potiguares ainda é um desafio importante. O aumento do custo de construção, que elevou o preço médio do metro quadrado para R$ 9.283 no primeiro trimestre, pode limitar a capacidade de compra, principalmente de quem tem menor renda. Apesar do MCMV facilitar o acesso, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para financiar a casa própria.
Roberto Peres acrescenta que a queda da taxa de juros e a redução da inflação devem acelerar as vendas, especialmente diante da demanda reprimida em Natal. Ele também destaca que a atualização do Plano Diretor de Natal (PDN) contribui para o avanço do mercado, ao permitir maior gabarito e potencial construtivo em diversas regiões da cidade.
Valorização e expansão territorial do mercado
O secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Thiago Mesquita, observa que bairros como Capim Macio, Ponta Negra, Lagoa Nova, Tirol e Petrópolis tiveram valorização imobiliária expressiva após a vigência do novo PDN. A zona Norte da cidade também começa a se destacar, com empreendimentos que somam entre 800 e 1.200 unidades, tornando-se uma referência emergente no mercado local.
A arquiteta e urbanista Sophia Motta destaca que, além do PDN, o Código de Obras trouxe mudanças importantes para o setor, principalmente em relação ao licenciamento e à redução da exigência de vagas de estacionamento, facilitando a viabilidade dos projetos.
Neópolis: principal polo de lançamentos
Neópolis, bairro da zona Sul de Natal, concentrou quase 60% dos lançamentos imobiliários no primeiro trimestre de 2026, conforme o Censo Imobiliário do Sinduscon-RN. A localização estratégica próxima a corredores viários, como a BR-101 e a Avenida Ayrton Senna, além da oferta de comércio, serviços e escolas, torna o bairro atrativo para investimentos. Terrenos com valores mais competitivos que outras áreas valorizadas da cidade também contribuem para essa preferência.
Roberto Peres destaca que Neópolis consegue absorver imóveis na faixa de preço compatível com o Minha Casa, Minha Vida, entre R$ 450 mil e R$ 500 mil, impulsionando as vendas na região. A MDNE reforça essa escolha, ressaltando que a qualidade de vida e a comodidade são fatores decisivos para a localização do empreendimento Ún1ca Veredas Villa Park.
Para o enfermeiro Eduardo Pinheiro, comprador de um apartamento no Ún1ca, a proximidade com a família e a tranquilidade da região foram determinantes para a escolha. No entanto, moradores antigos como Leandro Varela apontam que o crescimento exige melhorias na mobilidade urbana do bairro.
Planejamento urbano e investimentos públicos
Sophia Motta ressalta a importância do planejamento para acompanhar a densidade gerada pelo aumento de empreendimentos. Investimentos em mobilidade, drenagem e saneamento são essenciais para garantir a qualidade de vida. A outorga onerosa, mecanismo pelo qual construtoras pagam contrapartidas financeiras para construir acima do coeficiente básico previsto no Plano Diretor, é uma ferramenta para direcionar recursos para essas áreas de expansão.
O poder público tem a vantagem de prever a localização dos futuros empreendimentos por meio dos processos de licenciamento, o que permite planejar infraestrutura para atender à demanda projetada, considerando o prazo médio de quatro a cinco anos para a conclusão das obras, segundo a arquiteta.
Faixas do programa Minha Casa, Minha Vida
O programa MCMV atende diferentes faixas de renda familiar, com valores máximos para aquisição do imóvel:
Faixas 1 e 2: até R$ 5 mil de renda, limite de R$ 260 mil para o imóvel;
Faixa 3: renda entre R$ 5 mil e R$ 9 mil, teto de R$ 600 mil;
Faixa 4: renda entre R$ 9.001 e R$ 13 mil.
Essas categorias ampliam o acesso à moradia para diferentes perfis econômicos, estimulando o mercado imobiliário em Natal.
