Expansão do uso de aplicativos financeiros no Rio Grande do Norte
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um aumento significativo no acesso a aplicativos de instituições financeiras entre os potiguares com 10 anos ou mais. Em 2025, 1,87 milhão de pessoas no Rio Grande do Norte utilizaram essas plataformas digitais, representando um crescimento de 12,3% em relação a 2024, o que equivale a 204 mil novos usuários. Entre todas as categorias de uso da internet analisadas pelo IBGE, o acesso a apps financeiros foi a que teve a maior expansão no período.
Influência da geração Z e cooperativismo na adoção digital
Especialistas relacionam esse avanço à popularização dos serviços financeiros digitais, especialmente após o sucesso do PIX, e à entrada precoce dos jovens no sistema financeiro nacional. A geração Z, que cresceu em um ambiente conectado, vem adotando com naturalidade soluções como pagamentos instantâneos, carteiras digitais, crédito e investimentos via aplicativos.
Esse fenômeno é particularmente evidente no cooperativismo de crédito. No Rio Grande do Norte, o Sicredi registrou um aumento de 46% no número de associados da geração Z em junho de 2026, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Judson Garcia, coordenador de Projetos de Desenvolvimento e Planejamento da Central Sicredi Nordeste, destaca que essa familiaridade digital dos jovens contribui para a expansão dos serviços financeiros online.
Segundo Garcia, “a geração Z busca praticidade e atendimento pelo celular, valorizando também propósito e participação. O modelo cooperativo, que permite ao associado ser dono e participar das decisões, aproxima esses jovens do cooperativismo de crédito”.
Pagamentos instantâneos aceleram o contato com o sistema financeiro
A popularização do PIX, das carteiras digitais e dos aplicativos financeiros ampliou o acesso dos jovens a diversos produtos financeiros e antecipou sua entrada no sistema. Muitos começaram utilizando ferramentas de pagamento e, com o tempo, passaram a buscar outros serviços como investimentos, seguros e crédito, fortalecendo o relacionamento com as cooperativas de crédito.
Relatório recente do Banco Central reforça essa tendência: entre 2016 e 2024, o número de jovens que utilizam cartão de crédito e empréstimos pessoais mais que dobrou, passando de 13,7 milhões para 27,6 milhões, um crescimento de 101%. O maior avanço ocorreu entre jovens com renda de até dois salários mínimos.
Até 2020, a idade média do primeiro contato com o Sistema Financeiro Nacional era de aproximadamente 35 anos, mas esse indicador caiu para 20 anos em 2024. Judson Garcia avalia que essa entrada antecipada dos jovens deve influenciar a maneira como as instituições financeiras se relacionam com seus públicos, exigindo mais agilidade, acessibilidade e foco na experiência digital.
