Oportunidades e Desafios na Cultura
Em um cenário onde políticas culturais muitas vezes parecem distantes, o Teatro da Universidade de Caxias do Sul se transforma em um espaço onde a Lei Rouanet ganha vida. Este evento, parte da itinerância da Comissão Nacional de incentivo à cultura (CNIC), ocorreu esta semana e serviu como um fórum para discutir e traduzir o acesso a essa importante política pública. Com foco em uma orientação prática, o encontro promoveu diálogos entre produtores culturais, artistas, gestores e estudantes, todos em busca de estratégias para transformar ideias em projetos concretos.
Segundo o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, “nosso desafio agora é fazer esse crescimento chegar na ponta. Quando a gente aproxima a política pública dos territórios, a gente transforma informação em acesso”. O evento contou com uma programação rica, incluindo painéis e trocas informais, com o objetivo de facilitar a compreensão sobre o funcionamento da Lei Rouanet e as maneiras de acessá-la.
Da Teoria à Prática
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Uma das participantes, Karine Silva, produtora cultural e responsável por iniciativas de formação musical como os Coros do Moinho, destaca a importância da aproximação proporcionada pelo encontro. “Eu já tive contato com a Lei Rouanet e escrevi projetos, mas ainda não é algo frequente para mim. Vim em busca de mais informações”, revela. Para ela, o evento foi crucial para desmistificar o complexidade do mecanismo de incentivo, permitindo que saísse com uma clara compreensão dos próximos passos necessários para seu trabalho.
A chefe da divisão de incentivos fiscais do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Rafaela Almeida, também enfatiza a relevância do evento: “As salas estavam cheias, com uma participação muito ativa. Muitos já tinham experiência com projetos e vieram aprofundar seu conhecimento”. Assim, a CNIC itinerante se mostra um meio eficaz de fortalecer as conexões locais e potencializar o impacto das políticas culturais, promovendo um ambiente propício para a troca de experiências.
Potencializando Conexões Culturais
Márcio Allend, vice-presidente da Associação Cultural Essência Cigana do Brasil, compartilha sua perspectiva sobre o encontro, que ele considera estratégico para ampliar o alcance de projetos já consolidados em Caxias do Sul. “A atuação do nosso grupo valoriza a cultura cigana e a itinerância da CNIC proporciona uma escuta valiosa, permitindo que entendamos melhor os caminhos a seguir”, afirma.
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Embora muitos produtores já consigam estruturar seus projetos, Allend aponta que as dificuldades aparecem nas fases posteriores, como na captação de recursos. Para ele, o contato direto com gestores públicos e a oferta de informações qualificadas são essenciais para superar esses obstáculos. “A cultura é construída coletivamente. Quando a informação circula, mais projetos conseguem se desenvolver e alcançar novos públicos”, completa.
Formação e Oportunidades no Audiovisual
Outro aspecto importante da programação foi a masterclass focada no audiovisual, conduzida pelo comissário Rafael Peixoto. A iniciativa teve como objetivo aprofundar conhecimentos sobre roteiros para diferentes formatos de filme e reforçar a necessidade de formação técnica neste setor, que enfrenta muitos desafios.
A produtora e roteirista Kiwi Bertolla destacou a importância de fortalecer estratégias de distribuição para que os projetos culturais alcancem seu público. “O processo exige um tipo de letramento burocrático que nem todos têm acesso. Artistas com trabalhos consistentes podem não dominar essa linguagem”, comentou. Para Kiwi, a formação é um elemento-chave para ampliar a participação no sistema cultural, proporcionando aos criadores autonomia para gerir seus projetos e remuneração.
Investindo na Cultura Local
Kiwi também ressaltou a importância da colaboração com o setor privado, evidenciando que ainda existe um desconhecimento sobre o impacto crucial do investimento em cultura. “Investir em cultura é investir na cidade, na economia e na identidade local”, destacou. Ela observou que muitos recursos ainda são direcionados a projetos em outras regiões, sinalizando a necessidade de fortalecer a conexão entre empresários e a produção cultural local.
“Existem produções fundamentais que precisam ser viabilizadas. Quando as pessoas têm a oportunidade de trabalhar e produzir, o impacto é direto na sociedade”, conclui. Com isso, a expectativa é que o conhecimento adquirido durante o evento não apenas beneficie os participantes, mas que ressoe em novas iniciativas e na criação de redes que ampliem o alcance cultural em Caxias do Sul e além.
