Ações Judiciais e Violações de Direitos
A gestão do ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) enfrentou sérias acusações relacionadas a falhas em contratos de prestação de serviços, impactando diretamente os trabalhadores terceirizados da Prefeitura de Mossoró. O Ministério Público do Trabalho (MPT-RN) moveu uma ação civil pública, que resultou em condenação do município por omissões que levaram a graves violações dos direitos desses trabalhadores, incluindo atrasos salariais, ausência de depósitos do FGTS e indícios de ingerência político-partidária nas contratações.
O caso foi analisado pela 1ª Vara do Trabalho de Mossoró, que acolheu a denúncia e condenou a gestão por não cumprir com suas responsabilidades de fiscalização. A decisão do tribunal não só reafirmou a necessidade de uma supervisão efetiva dos contratos terceirizados, mas também estabeleceu que a Prefeitura deveria adotar medidas para corrigir essas falhas.
Desdobramentos e Consequências Legais
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Após a condenação em primeira instância, a gestão Allyson interpôs um recurso, o qual foi negado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN). A Primeira Turma de Julgamento do tribunal considerou que a Justiça do Trabalho era sim competente para julgar a situação, uma vez que a questão envolve a proteção dos direitos trabalhistas dos terceirizados.
A decisão do TRT-RN deixou claro que a Prefeitura de Mossoró precisa implementar programas de conformidade jurídica e fiscalização mais rigorosa sobre seus contratos de terceirização. Afonso Rocha, procurador do Trabalho, destacou a necessidade de que a fiscalização passe de um mero formalismo para uma abordagem técnica e profissional, com investimentos em estruturas permanentes e servidores capacitados para garantir os direitos dos trabalhadores.
Medidas Necessárias e Indenização
As falhas na fiscalização não apenas resultaram em atrasos salariais, como também caracterizaram uma grave omissão do município em relação à gestão da mão de obra contratada. Dessa forma, a sentença impôs ao município a criação de um Programa de Integridade e Compliance, um Manual de Fiscalização de Contratos e mecanismos de prevenção de conflitos de interesse.
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Fonte: belembelem.com.br
Além disso, o município foi condenado a pagar uma indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 50 mil, a ser destinado a projetos sociais ou entidades sem fins lucrativos. A multa de R$ 5 mil por dia foi estipulada para o caso de descumprimento das obrigações impostas, com o valor revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou à instituição indicada pelo MPT.
Alerta para Outros Municípios e Iniciativas em Natal
A sentença proferida em Mossoró serve como um alerta para outras prefeituras do Rio Grande do Norte sobre a importância da gestão profissional dos contratos públicos. O procurador Afonso de Paula Pinheiro Rocha enfatizou que a atuação do Ministério Público do Trabalho busca melhorar a fiscalização e prevenir fraudes trabalhistas, propondo um modelo que vá além do protocolo burocrático.
Em paralelo, em Natal, o vereador Daniel Valença (PT) apresentou um projeto de lei com o intuito de proteger os direitos dos trabalhadores terceirizados. A proposta inclui a criação de uma conta-corrente separada para os pagamentos feitos às empresas contratadas, assegurando que, em casos de descumprimento de obrigações trabalhistas, os salários possam ser pagos diretamente da conta reservada, evitando a necessidade de longos processos judiciais.
Essa iniciativa visa também a criação de um Cadastro Municipal de Empresas Inadimplentes, proibindo empresas que não cumprirem com suas obrigações de firmar novos contratos com a Prefeitura. Com um painel digital para que os trabalhadores possam acompanhar se seus direitos estão sendo pagos, a proposta se apresenta como uma ferramenta de fiscalização direta, promovendo transparência nas relações de trabalho.
Conclusão
Este episódio em Mossoró não é apenas uma questão isolada, mas um reflexo de um problema maior que afeta a classe trabalhadora em diversas localidades. A luta por direitos dignos e a necessidade de um controle efetivo sobre os contratos de terceirização são demandas urgentes que precisam ser atendidas para que os trabalhadores possam exercer suas funções sem medo de desamparo. O desejo é que outras prefeituras sigam o exemplo de Mossoró e Natal e implementem medidas que garantam a proteção dos direitos dos trabalhadores.
