Impactos da Alta no Diesel no Agronegócio
O aumento contínuo nos preços do diesel, impulsionado pelo recente conflito no Oriente Médio, já resultou em um prejuízo estimado em R$ 7,2 bilhões para o agronegócio brasileiro. O levantamento foi realizado pela Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), que analisou dados desde o dia 27 de fevereiro, quando o litro do diesel era comercializado a R$ 6,13, até 10 de abril, quando o preço saltou para R$ 7,55.
O estudo indica que a cada variação de R$ 0,25 no preço do litro do diesel, o setor agrícola enfrenta um aumento de custos de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. Essa alta acentuada de 23% no preço do diesel tem gerado preocupações, especialmente no segmento da cana-de-açúcar, que registrou um aumento de R$ 355 por hectare em seus custos de produção.
Setores mais Prejudicados e Seus Cálculos de Perdas
O aumento nos custos também impactou outras culturas importantes, como arroz, com um acréscimo de R$ 203,85 por hectare, algodão (R$ 80,95/ha), milho (R$ 75,75/ha na primeira safra e R$ 40,33/ha na segunda safra), trigo (R$ 47,94/ha) e soja (R$ 42,74/ha). Esses aumentos se traduzem em uma elevação significativa do custo total das operações mecânicas no agronegócio.
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Fonte: cidaderecife.com.br
Os setores mais atingidos por essa crise incluem a cana-de-açúcar, com perdas de R$ 3,39 bilhões, e a soja, que acumula R$ 2,06 bilhões em prejuízos. Além disso, culturas de milho, tanto na primeira safra (R$ 375,9 milhões) quanto na segunda (R$ 732,6 milhões), arroz (R$ 320,7 milhões), algodão (R$ 161,7 milhões) e trigo (R$ 113,4 milhões) também sofreram impactos negativos, totalizando assim R$ 7,2 bilhões em perdas para o setor agrícola.
Repercussões na Economia e Medidas de Mitigação
O aumento no preço do diesel não afeta apenas os agricultores. O reflexo também é sentido na economia nacional, com a alta do IPCA em 0,88% e a inflação dos alimentos atingindo 1,56% em março. A situação poderia ter sido ainda mais grave, segundo o estudo, caso o PPI (Preço de Paridade de Importação) tivesse sido mantido; as perdas poderiam ultrapassar R$ 11,2 bilhões com o litro do diesel a R$ 2,22 mais caro.
Para tentar amenizar os efeitos desse cenário, tramita no Congresso Nacional o PLP (Projeto de Lei Complementar) 114/2026, que busca reduzir os impactos da alta dos combustíveis. A relatora do projeto, Marussa Boldrin (Republicanos-GO), destacou que a proposta visa garantir benefícios fiscais aos biocombustíveis, embora não tenha confirmado a data de votação do projeto.
Essa discussão no Congresso reflete um esforço para proteger o agronegócio e, consequentemente, a economia brasileira, que depende fortemente do setor agrícola. A expectativa é que medidas efetivas possam ser implementadas rapidamente, a fim de estabilizar os preços e minimizar os prejuízos já enfrentados pelos produtores rurais.
