O Brasil e sua Influência nas commodities
O Brasil se destaca como um dos poucos países capazes de oferecer segurança global em commodities, abrangendo setores agropecuários, energéticos, minerais e climáticos. À medida que a geopolítica se torna o principal fator de risco para o abastecimento mundial, a posse de commodities se transforma em um verdadeiro ativo de poder.
Esses produtos são classificados como homogêneos e não diferenciados, com preços determinados pela interação entre oferta e demanda nos mercados globais. As commodities se dividem em três grandes categorias: energéticas, minerais e as do agronegócio.
Durante o auge da globalização, a facilidade de acesso a esses produtos criou uma falsa sensação de abundância, desconsiderando seu valor estratégico. Com a produção e logística amplamente eficientes, acompanhadas de preços acessíveis, muitos passaram a ver as commodities como obsoletas, em um impulso para focar em itens com maior valor agregado nas exportações.
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No entanto, essa visão, mesmo no Brasil — um país rico em recursos naturais —, tem sido criticada como simplista e perigosa. As commodities representam mais de 70% das nossas exportações, e a desvalorização desse setor tem suas consequências. A realidade é que a produção de commodities demanda muito mais do que apenas recursos naturais; é necessário investimento em tecnologia, indústria e serviços. O verdadeiro desafio reside em transformar esses recursos em poder econômico estratégico.
A Nova Geopolítica e as Commodities
As dinâmicas globais estão passando por uma transformação significativa, com as commodities ocupando o centro da nova geopolítica. O controle de petróleo e gás natural é a essência dos conflitos na Venezuela e no Irã. A rivalidade entre os EUA e a China se intensificou, com ambos os países disputando o domínio sobre minerais críticos, como lítio e cobalto, que atualmente possuem uma relevância comparável à do petróleo no século XX. Além disso, a guerra na Ucrânia converteu grãos e fertilizantes em ferramentas geopolíticas.
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O fechamento do Estreito de Ormuz, por exemplo, evidenciou como um gargalo geográfico de apenas 39 km pode paralisar as cadeias globais de energia, alimentos e insumos, ressaltando a fragilidade do sistema.
Nesse contexto, o Brasil se destaca em uma posição estratégica. Com um histórico de sucesso nas exportações agropecuárias, o país lidera o ranking global nesse segmento. Nossa matriz energética é diversificada: enquanto o planeta utiliza 85% de fontes fósseis e 15% de renováveis, o Brasil apresenta um equilíbrio, com metade de sua energia proveniente de fontes renováveis, como a hidroeletricidade, etanol, biomassa, e um crescente investimento em energias solar e eólica, fruto de uma estrutura construída desde os anos 1970.
Desafios e Oportunidades no Setor Mineral
Por outro lado, na mineração, o Brasil ainda enfrenta desafios. Embora possua exemplos notáveis, como o petróleo, minério de ferro e cobre, há uma preocupação com a lenta exploração de minerais críticos, incluindo lítio, grafite, manganês e terras raras, cujas reservas permanecem em grande parte inexploradas devido à falta de uma política mineral eficaz.
Outro ponto crítico é a nossa dependência em fertilizantes. O Brasil ocupa a liderança no ranking global de importação, adquirindo 85% dos fertilizantes consumidos pela agricultura nacional. Sendo a maior potência agrícola tropical do mundo, a ausência de controle sobre a fertilidade do solo é um contrassenso que merece atenção.
A situação global apresenta riscos, mas também abre um leque de oportunidades para o Brasil. O segredo para aproveitá-las está em nossa capacidade de agir de forma estratégica e coordenada, de maneira urgente, para garantir que as commodities, que sempre desempenharam um papel fundamental em nossa economia, sejam vistas e utilizadas como um verdadeiro ativo de poder no cenário internacional.
