Críticas ao Fim da Escala 6×1 na Expozebu
No último sábado (25), líderes do agronegócio se reuniram na abertura da Expozebu, realizada em Uberaba, Triângulo Mineiro, onde expressaram sua insatisfação com a proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 em todo o país. Considerado o principal evento da pecuária nacional, a Expozebu é organizada pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), que conta com 22 mil associados e tem a expectativa de movimentar mais de R$ 200 milhões em negócios relacionados a bovinos durante os 41 leilões e 11 shoppings de animais programados até o dia 3 de maio.
Durante a cerimônia de abertura, o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, enfatizou a necessidade de discutir com seriedade questões relativas ao fim da escala 6×1, levando em consideração ‘todas as consequências possíveis’. Ele pediu aos parlamentares que rejeitassem a pauta, que, segundo ele, é prejudicial à economia do agronegócio brasileiro e pode gerar impactos severos e sem precedentes para o setor. O apelo de Borges foi aplaudido por uma plateia composta por representantes de diversas entidades e pecuaristas presentes no evento.
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Em seguida, Tirso Meirelles, presidente da Faesp (Federação da agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), também criticou a proposta governamental. Ele comentou sobre a atual situação das políticas públicas, ressaltando que existem prioridades mais urgentes a serem abordadas antes de se discutir mudanças na jornada de trabalho. ‘Arrecadamos R$ 3 trilhões em impostos e passamos mais de cinco meses pagando impostos. O que é trazido para a sociedade? Mais impostos. Precisamos primeiro resolver questões estruturais do país antes de mexer na escala de trabalho’, afirmou Meirelles.
O presidente da Faesp elogiou os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) por sua disposição em se lançar na arena política em um momento tão polarizado, e defendeu a necessidade de se criar um projeto nacional que priorize o desenvolvimento do Brasil, usando a Coreia do Sul como exemplo de crescimento econômico ao longo dos anos.
Atualmente, o governo e o Congresso estão em debate sobre os detalhes do projeto que visa a redução da jornada de trabalho, cuja tramitação segue um caminho complexo. Recentemente, no dia 22, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou um relatório que favorece a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que modifica a jornada para 6×1. Contudo, a proposta enfrenta resistência e o governo argumenta que seria melhor que a discussão fosse feita através de um projeto de lei (PL), em vez de uma PEC, que tem um trâmite mais demorado e não pode ser vetada pelo presidente da República.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
A proposta em questão não detalha o conteúdo da emenda, mas aborda a constitucionalidade da proposta. Há duas PECs tramitando em conjunto, lideradas pelos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), com a intenção de reduzir a jornada semanal de 44 horas para 36 horas. A proposta de Hilton ainda fixa uma nova escala de trabalho, com 4 dias de trabalho e 3 de folga. Entretanto, o governo alega que essa estrutura de trabalho está ultrapassada e propõe um limite de 40 horas semanais sem impor um regime de escala.
A adoção da redução da jornada de trabalho é vista pelo governo como uma estratégia para conquistar a simpatia popular e melhorar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um ano eleitoral.
Bovinos em Alta na Expozebu
Este ano, a Expozebu ocorre em um cenário de valorização da arroba bovina, que registrou uma alta de 11,18% no preço da arroba (15 quilos) ao longo de um ano, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. No último dia 23, o preço da arroba foi cotado a R$ 362,40, comparado aos R$ 325,95 do ano anterior.
Com uma história que remonta a 1935, a feira é considerada a maior dedicada ao gado zebu do mundo, e nesta 91ª edição, a expectativa é receber um público de 400 mil visitantes até o dia 3 de maio. A programação inclui julgamentos de animais, concursos leiteiros, áreas comerciais, rodadas de negócios internacionais, além de 11 shoppings de animais e 41 leilões, representando um aumento de dois leilões e dois shoppings em relação ao ano passado.
