Troca de Comando e Desafios para o Republicanos
No dia 4 de abril de 2026, o prazo para filiações de pré-candidatos expirou sem que o Republicanos conseguisse formar uma chapa proporcional para a disputa eleitoral de outubro. Em meio a essas dificuldades, o vice-presidente da comissão estadual provisória do partido, Victor Hugo de Assis Cruz, de 30 anos, confirmou à TRIBUNA DO NORTE que “não lançaremos candidatos nesta eleição, tanto para deputado estadual quanto federal”. Essa decisão foi vista como um reflexo da recente troca de comando no partido, que, a partir de 25 de março, passou a ser liderado pelo ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, após a saída do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias.
Allyson Bezerra, que estava à frente do grupo político ligado à federação União/PP, assumiu o comando do Republicanos em meio a uma negociação tumultuada. Dias, que tentou manter o controle do partido, acabou mudando-se para o PL, enquanto a liderança nacional do Republicanos, sob Marcos Pereira, buscava um fortalecimento da legenda com uma nominata competitiva, algo que não se concretizou devido à priorização do projeto majoritário de Álvaro.
Desse modo, a cúpula nacional decidiu afastar Álvaro do comando, o que fez com que as portas do partido se abrissem para Allyson. O ex-candidato a deputado federal, Abraão Lincoln, amigo de Marcos Pereira e envolvido em controvérsias, foi um dos responsáveis pela aproximação entre os novos líderes.
A negociação final entre Allyson e Marcos Pereira ocorreu em Brasília, concretizando a troca de comando. Em suas redes sociais, o novo presidente do Republicanos no Rio Grande do Norte expressou gratidão pela confiança recebida e prometeu um trabalho responsável em prol do crescimento do partido. Com a nova liderança, Allyson Bezerra terá acesso a mais tempo de propaganda eleitoral e recursos do fundo partidário, algo crucial para sua pré-candidatura ao governo.
Recursos e Apoio de Partidos na Disputa Eleitoral
A nova configuração do Republicanos com Allyson Bezerra promete aumentar o tempo de propaganda eleitoral de rádio e TV, além de ampliar os recursos financeiros do fundo partidário. O partido, que se coloca como o sétimo maior em termos de Fundo Eleitoral de Financiamento de Campanha (FEFC), receberá cerca de R$ 343,9 milhões para as campanhas municipais, o que torna a sigla um potencial jogador importante nas eleições de 2024.
Além disso, a pré-candidatura de Allyson Bezerra conta com o apoio de seis partidos, incluindo União Brasil, Progressistas, MDB, PSD e Solidariedade. Essa aliança pode fortalecer a presença do Republicanos nas eleições, apesar das dificuldades enfrentadas na formação de uma nominata.
Clima de Controvérsia e Investigações
Entretanto, a ascensão de Allyson Bezerra à presidência do Republicanos não acontece em um clima pacífico. A relação entre os líderes do partido é marcada por polêmicas, especialmente a figura de Abraão Lincoln, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, que é investigado por envolvimento em fraudes no INSS. A presença de Abraão no comando do partido levanta questões sobre a integridade e a imagem do Republicanos diante do eleitorado.
Em janeiro, Abraão já havia demonstrado seu apoio a Allyson em um evento, mesmo em meio a investigações que o envolvem. O senador Izalci Lucas comentou sobre a gravidade das acusações que cercam a CBPA, destacando a necessidade de uma investigação a fundo sobre o impacto financeiro das práticas denunciadas.
Desdobramentos Finais e Acelerados
Recentemente, o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS pediu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Abraão Lincoln, apontado como figura central em um esquema de desvios que afetam aposentados e pensionistas. O encerramento da CPMI revelou a continuidade da investigação, com cópias do relatório sendo enviadas a diversas instituições, incluindo o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Assim, enquanto o Republicanos enfrenta a transição de liderança e a falta de candidatos, o clima de controvérsia pode trazer desafios adicionais para Allyson Bezerra e sua equipe. As próximas eleições prometem ser um campo de batalha não só político, mas também moral, à medida que o partido tenta navegar por águas turbulentas.
