Reflexões Sobre Educação e Desenvolvimento Econômico
A educação é mais do que um pilar social; é o motor crucial que impulsiona o desenvolvimento econômico e a produtividade de um país. Essa foi a mensagem central defendida pela professora Claudia Costin durante o evento “Motores do Desenvolvimento”. Com o tema “Educação Move Tudo”, o encontro promoveu uma discussão profunda sobre o impacto das políticas públicas e da gestão escolar na construção de um futuro mais próspero. A professora destacou um “paradoxo brasileiro”: embora o Brasil seja a 9ª maior economia do mundo em termos de PIB, o país ocupa posições preocupantes em rankings internacionais de aprendizagem, como o PISA, onde está em 65º lugar em Matemática e 62º em Ciências.
No contexto do Rio Grande do Norte, os dados expõem um cenário de evolução tímida. Apesar de alguns avanços, o estado ainda observa outras unidades da federação progredindo com políticas públicas eficazes que apresentam resultados concretos. Em 2026, o RN alcançou a taxa de 48% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. Embora isso represente uma melhora em comparação com os 39% de 2025, o índice continua abaixo da média nacional de 66%, colocando o estado na última posição do Brasil.
Desafios e Exemplos de Sucesso na Educação
A falta de uma base educacional sólida compromete o desenvolvimento subsequente dos estudantes, refletindo-se em índices de proficiência insatisfatórios no Ensino Médio. Modelos de sucesso em outros estados do Nordeste demonstram que, com foco, continuidade e comprometimento, é possível promover avanços significativos.
O Ceará, por exemplo, destaca-se pela colaboração eficaz entre o governo estadual e os municípios, focando na alfabetização e na utilização estratégica do ICMS educacional, uma legislação que destina parte da arrecadação do imposto ao desempenho escolar. Outro exemplo é Pernambuco, que se tornou referência ao implementar o Ensino Médio em Tempo Integral, além de oferecer suporte direto às redes municipais para garantir a alfabetização dos alunos na idade correta, utilizando dados de aprendizagem para realizar correções de rumo de forma ágil.
O Espírito Santo também apresentou avanços significativos no Ensino Médio em Tempo Integral. O estado lançou o movimento “Espírito Santo em Ação”, que visa promover a alfabetização e fortalecer a colaboração entre a sociedade civil e o setor produtivo, enfatizando que o engajamento de diferentes atores é fundamental para o sucesso educacional.
Por outro lado, o Piauí conseguiu universalizar o tempo integral em todas as escolas de Ensino Médio, integrando o ensino de Inteligência Artificial e a oferta de Ensino Técnico em todos os seus municípios. Rondônia, por sua vez, demonstra que a colaboração, inclusive com o Tribunal de Contas, pode elevar a meta de alfabetização, alcançando 75% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano escolar.
Um Chamado à Ação para o Rio Grande do Norte
Esses exemplos mostram que o Rio Grande do Norte tem a capacidade de reagir e reverter seu quadro educacional. Os tempos estão mudando e a educação necessita acompanhar essas transformações. O que falta, na verdade, é a decisão política de priorizar a alfabetização. É preciso investir na formação de professores e acompanhar os indicadores, corrigindo as rotas com base em evidências e proporcionando suporte àqueles que mais necessitam. A tecnologia e a Inteligência Artificial devem ser utilizadas como ferramentas pedagógicas, e não como substitutos para o pensamento crítico e a criatividade.
Para que o Rio Grande do Norte faça da educação um motor de sua economia, é essencial adotar políticas fundamentadas em evidências científicas, valorizar os professores e garantir a conectividade de alta velocidade em todas as escolas. Somente com um compromisso inabalável com a alfabetização na idade certa e a expansão do tempo integral, o estado poderá sair da marcha lenta e liderar o desenvolvimento que nossa sociedade tanto deseja.
