Desvendando o Passado: A Luta Feminina na Política
No dia em que se costuma celebrar a mentira, uma narrativa surpreendentemente verdadeira emerge sobre a trajetória das mulheres na política brasileira. Este capítulo histórico é permeado por uma cultura machista que sempre exigiu das mulheres uma superação constante em ambientes predominantemente masculinos. Eunice Michiles, a primeira senadora do Brasil, que tomou posse em 1979, é um exemplo emblemático dessa luta. Sua experiência no Senado foi marcada pela escassez de infraestrutura básica, como a falta de banheiros femininos, e pela hostilidade e discriminação que enfrentou. Ao invés de igualdade, os colegas senadores a receberam com “flor e poesia”, demonstrando um abismo entre os gêneros.
Eunice não encontrou apoio na mídia, que se concentrava em sua aparência e estilo, relegando suas ações a um tratamento superficial, enquanto senadores homens eram avaliados sob a ótica da política. A quantidade de projetos que apresentou, voltados a garantir direitos às mulheres, é um testemunho de sua determinação. Um dos destaques é sua proposta inicial para revogar um artigo do Código Civil de 1916, que permitia ao homem anular o casamento e devolver a esposa aos pais se descobrisse que ela não era virgem, dentro de um prazo de dez dias após a cerimônia.
Apesar de parecer incredível, essa era a realidade angustiante das mulheres em sua época. A pressão social era imensa: embora se pedisse que as políticas fossem atraentes, mulheres que sucumbissem aos impulsos sexuais eram impiedosamente desonradas. A valorização da virgindade feminina como sinônimo de pureza era uma expectativa arraigada, amplamente aceita até o casamento. Em resposta a essa distorção de valores, Eunice apresentou, em 1980, um projeto que buscava acabar com a anulação do matrimônio baseada na virgindade da mulher. Apesar de ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça, a proposta ficou arquivada por cinco anos.
Essas questões fundamentais e muitas outras são abordadas de maneira inovadora no filme de realidade virtual dirigido por Felipe Gontijo, que estreou dia 13 de março no Senado Federal, durante a entrega do Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz. O filme não só retrata a luta de Eunice, mas também conta com a participação da atriz Carolina Monte Rose, que interpreta a senadora. Surpreendentemente, a atriz Mara Régia também faz uma participação especial, reforçando a relevância deste projeto. E não, não é mentira! Na verdade, Carolina procurou saber o que achei da experiência de atuar nesse projeto tão significativo.
O filme, de forma inovadora, traz à tona as verdades que compõem a história da participação feminina na política do Brasil. Ele destaca como a luta por direitos das mulheres é uma narrativa contínua e repleta de desafios, mas, ao mesmo tempo, cheia de conquistas. É essencial que essa história seja contada e recontada, para que as mulheres que vierem a seguir possam entender as batalhas já vencidas e as que ainda estão por vir.
