Desempenho Recorde no Crédito Imobiliário
A Caixa Econômica Federal registrou, em 2025, um volume histórico de contratações de crédito imobiliário no Rio Grande do Norte, totalizando R$ 3,56 bilhões. Esse número representa um crescimento impressionante de 20,45% em comparação ao ano anterior. Esse aumento acompanha o cenário nacional, onde, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o crédito imobiliário no Brasil atingiu R$ 324 bilhões em 2024, refletindo um crescimento de 3% e superando as expectativas que previam uma queda devido aos altos índices da Selic.
Tiago Pereira, superintendente de rede da Caixa no RN, ressaltou que os números vão além do desempenho financeiro. “Esses mais de R$ 3 bilhões representam geração de emprego e renda e, principalmente, a realização do sonho da casa própria para milhares de famílias. Cada contrato assinado se traduz em desenvolvimento local e transformação real na vida dos potiguares”, afirmou.
Impacto das Mudanças no Mercado
O crescimento expressivo no crédito imobiliário é o resultado de um ciclo de transformações iniciado em 2024 e aprimorado ao longo de 2025. No ano passado, a Caixa, diante de limitações orçamentárias e pressão sobre os recursos da poupança, adotou medidas restritivas, como o aumento da entrada mínima e a redução do percentual financiado. Essas alterações impactaram diretamente o mercado, desacelerando as contratações naquele período.
No entanto, com o novo modelo de crédito imobiliário anunciado pelo governo federal no final de 2024, o panorama começou a mudar. As reformas foram implementadas gradativamente, permitindo a ampliação de recursos e flexibilização das regras, além da retomada de modalidades anteriormente limitadas. Entre as principais iniciativas, destacam-se o aumento do percentual financiado, a diminuição das exigências de entrada e a permissão para múltiplos financiamentos, ações bem recebidas pelo setor da construção civil.
Resultados Positivos e Geração de Empregos
Esse novo ambiente propiciou um avanço significativo no Rio Grande do Norte. Em 2025, a Caixa financiou 17.918 imóveis no estado, uma alta de 30,46% em relação ao ano anterior, beneficiando cerca de 53 mil pessoas. O impacto econômico também foi expressivo, resultando na criação de mais de 17,9 mil empregos diretos e indiretos relacionados à construção civil.
Conforme os dados, a carteira de crédito imobiliário da instituição no estado alcançou R$ 13,5 bilhões em dezembro de 2025, um crescimento de 14,1% em comparação ao ano anterior. O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) continuou a ser o principal motor de expansão, viabilizando mais de R$ 2,7 bilhões em investimentos.
Avaliação do Mercado Imobiliário
De acordo com Angelo Henrique Farias de Medeiros, vice-presidente do Sindicato do setor Imobiliário do RN (Secovi-RN), o aumento do crédito impactou diretamente nas vendas de imóveis. “O crescimento reflete vendas e uma redução no estoque, embora ainda não de forma significativa. Os segmentos mais populares, especialmente o MCMV, foram os principais responsáveis por esse impulso. Com o aquecimento do mercado, os imóveis estão enfrentando pressão e aumento de preços”, explicou.
Em 2024, a atuação da Caixa no estado já havia mostrado relevância, com o programa Minha Casa, Minha Vida contabilizando mais de 24 mil unidades contratadas desde seu retorno em 2023, criando uma base sólida para o crescimento observado em 2025, mesmo com as restrições pontuais de crédito.
Os dados mostram que 129 municípios do estado registraram contratações de unidades habitacionais, com Extremoz liderando, seguido por Mossoró, Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante.
Perspectivas para o Futuro do Crédito Imobiliário
Apesar dos avanços, Francisco Ramos, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon RN), alertou que 2024 não deve ser considerado uma referência ideal, uma vez que o ano foi marcado por restrições nos financiamentos e limitações de recursos.
Para o futuro, a Abecip projeta um crescimento de 16% no crédito imobiliário para 2026, após uma alta de 3% em 2025. A expectativa de redução da taxa Selic no segundo semestre deste ano é um fator-chave para esse cenário otimista. Os financiamentos com recursos da poupança devem avançar 15%, enquanto aqueles com recursos do FGTS devem crescer 5%. Adicionalmente, os recursos livres, que movimentaram R$ 31 bilhões no ano passado, podem registrar uma expansão de 66% em 2026.
