Mudança de Comando na Prefeitura de Mossoró
A partir do dia 1º de abril, Marcos Bezerra (PSD) assumirá a prefeitura de Mossoró, após a renúncia de Allyson Bezerra (União Brasil). A decisão de Allyson de deixar o cargo ocorre em função de sua candidatura ao governo do Rio Grande do Norte, com as eleições marcadas para 4 de outubro. A confirmação foi feita durante a inauguração do Complexo Viário 15 de Março, evento que aconteceu no último domingo, 15. O vice-prefeito assumirá o comando da cidade no dia 1º de abril, após a desincompatibilização de Allyson, que ocorrerá no dia 30 de março.
“Lutei muito para chegar à Prefeitura de Mossoró. No dia 30 de março, estarei dando um passo importante para a minha nova jornada. Entrego o cargo a um amigo-irmão, que vai continuar o trabalho”, declarou Allyson, em um discurso ao lado do futuro prefeito e de aliados políticos.
Contexto Político Complexo
A decisão de Allyson em se afastar do cargo traz um alívio para aliados políticos como a senadora Zenaide Maia (PSD) e o deputado federal João Maia, que necessitam de sua candidatura para sustentar seus próprios projetos eleitorais. Afinal, a pré-candidatura de Allyson havia gerado incertezas, especialmente após o desdobramento da Operação Mederi, que revelou um esquema de desvios de recursos na saúde pública municipal.
De acordo com a Polícia Federal, Allyson estaria no topo do grupo investigado, recebendo propinas de 15% sobre os pagamentos feitos pela prefeitura à DisMed Distribuidora de Medicamentos, uma das empresas implicadas. Além de Allyson, o vice-prefeito Marcos Bezerra também figura entre os investigados, juntamente com a atual secretária de Saúde, Morgana Dantas, e o ex-secretário, Almir Mariano, entre outros funcionários da administração municipal. Ao todo, ao menos sete envolvidos estão usando tornozeleiras eletrônicas enquanto a investigação prossegue.
Repercussões das Investigações
Allyson Bezerra nega qualquer envolvimento com as acusações, mesmo após ter sofrido buscas em sua residência. Após os mandados de busca e apreensão, ele gravou um vídeo afirmando que estava tranquilo e que não seria alvo das investigações. No entanto, a própria ação da PF contradiz essa afirmação, já que diversos itens, como celulares e HDs, foram apreendidos em sua casa.
Logo após a operação, Allyson lançou sua pré-candidatura ao governo em Natal, recebendo apoio de partidos como o União Brasil, PP, PSD e MDB, do vice-governador Walter Alves. Contudo, sua aparição pública diminuiu, levando a especulações de que ele hesitava em renunciar à prefeitura devido aos desdobramentos da operação. As dúvidas sobre sua saída do cargo permanecem, mas seus apoiadores garantem que ele cumprirá a renúncia no dia 30 de março.
Desdobramentos da Operação Mederi
Em 27 de janeiro, antes do café da manhã, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Allyson, no condomínio de luxo Ninho, na zona leste de Mossoró. A operação não se limitou apenas ao prefeito; outros alvos incluíram a secretária de Saúde e o ex-titular da pasta, além da sede da DisMed. Outras cinco prefeituras da região Oeste também foram investigadas, como Tibau e Areia Branca.
A operação revelou um esquema que funcionava dentro da Prefeitura de Mossoró, desviando recursos destinados à saúde por meio de licitações fraudulentas. Os valores subtraídos estariam sendo utilizados para pagamentos de propinas a diversos envolvidos, incluindo 15% para o prefeito e 10% para uma pessoa identificada apenas como “Fátima”. Ao longo de 2023 e 2025, a prefeitura teria repassado quase R$ 5 milhões à DisMed, com os sócios da empresa discutindo detalhadamente como os recursos seriam divididos em escutas telefônicas feitas pela PF.
As investigações continuam em andamento, com a expectativa de que novos depoimentos sejam colhidos e o material apreendido seja analisado, trazendo mais clareza a um dos casos mais complexos da política local.
