Suspensão de Pesquisa Eleitoral em Foco
A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte emitiu uma ordem nesta quarta-feira, dia 8, para que uma pesquisa eleitoral seja retirada do ar. A decisão foi motivada por indícios de que as perguntas formuladas no levantamento eram tendenciosas e direcionadas contra o pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, do partido União. A pesquisa, realizada pelo Instituto Media, havia sido divulgada inicialmente no dia 29 de março pelo portal O Potengi e posteriormente replicada por diversos veículos de imprensa.
A decisão liminar foi proferida pelo juiz relator Daniel Cabral Mariz Maia, membro do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), em resposta a uma representação apresentada pelo partido Republicanos, aliado de Allyson na disputada política do Estado. O Republicanos é presidido no Rio Grande do Norte pelo prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros.
Detalhes da Pesquisa Questionada
Durante a análise do caso, o magistrado destacou que a pesquisa incluiu perguntas específicas relacionadas a denúncias e uma operação da Polícia Federal que envolvem o pré-candidato. Ele observou que não houve questionamentos semelhantes acerca dos outros nomes analisados no levantamento, o que levanta a suspeita de manipulação nas respostas. Essa abordagem sugeriu uma indução de respostas desfavoráveis, apresentando aos entrevistados um conteúdo que poderia ser visto como prejudicial, direcionado exclusivamente a Allyson Bezerra.
A decisão do juiz acentuou que tal abordagem poderia comprometer a neutralidade da pesquisa. “O cenário revela a formulação de perguntas capazes de induzir o entrevistado a posicionamentos negativos em relação a um único pré-candidato”, afirmou Maia, ressaltando que o conteúdo poderia influenciar a percepção do eleitorado.
Possíveis Implicações Legais e Prejuízos
A Justiça Eleitoral também considerou viável a argumentação de que o levantamento poderia ser interpretado como uma forma de propaganda eleitoral negativa antecipada, o que é ilegal antes do início oficial da campanha. Esse tipo de irregularidade é caracterizado pela divulgação de informações que prejudicam a imagem de pré-candidatos ou que induzem, mesmo que indiretamente, à rejeição de determinados nomes na corrida eleitoral.
Outro aspecto avaliado na decisão foi a metodologia utilizada na pesquisa, a qual pode comprometer a validade do seu registro. A legislação eleitoral exige que os levantamentos publicados respeitem critérios técnicos e imparciais. Se for comprovada manipulação ou viés, a pesquisa pode ser considerada sem efeito jurídico, além de implicar sanções para os responsáveis.
O magistrado enfatizou ainda o risco da continuidade da divulgação de um conteúdo que pode ser considerado irregular. Para ele, manter a divulgação da pesquisa poderia prejudicar a imagem do pré-candidato e impactar negativamente o cenário eleitoral.
A Decisão do TRE e as Consequências
Em função dos argumentos apresentados, o juiz decidiu suspender de forma imediata a divulgação da pesquisa em todos os meios de comunicação. Em caso de descumprimento da ordem, foi estabelecida uma multa de R$ 10 mil para cada ato de veiculação irregular.
Além disso, o magistrado determinou que as empresas responsáveis pela pesquisa, tanto aquelas que a realizaram quanto aquelas que a contrataram e divulgaram, fossem citadas para apresentar defesa. Após essa fase, o processo seguirá para avaliação da Procuradoria Regional Eleitoral e posterior julgamento de mérito.
A pesquisa em questão foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo RN-07240/2026 e ouviu 2.000 eleitores entre os dias 23 e 26 de março, com uma margem de erro estimada de 2,2 pontos percentuais e um intervalo de confiança de 95%.
Instituto Media Rebate Acusações
Em resposta às acusações de manipulação, o Instituto Media Inteligência em Pesquisa afirmou que seguiu todos os parâmetros legais durante a elaboração e a divulgação do levantamento. De acordo com a empresa, a pesquisa respeitou as diretrizes da Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que foi atualizada pela Resolução nº 23.747/2026.
O Instituto defende que as perguntas levantadas abordaram temas de interesse público, relacionados a fatos amplamente divulgados, e nega qualquer intenção de criar propaganda negativa antecipada contra Allyson Bezerra. Apesar disso, a empresa relatou que está acatando totalmente a decisão da Justiça Eleitoral, adotando medidas para a retirada dos conteúdos questionados e solicitando, de forma solidária, que os veículos de comunicação façam o mesmo.
Na nota divulgada, o instituto reafirma seu compromisso com a ética, transparência e rigor técnico na condução de pesquisas, e se coloca à disposição para esclarecimentos adicionais.
