Falhas na Saúde Mental de Crianças e Adolescentes em Mossoró
Um diagnóstico alarmante apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) revelou que a administração do ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) deixou mais de 1.200 crianças e adolescentes sem acesso a tratamento psicológico. No período de janeiro de 2021 a março de 2026, a falta de investimentos e de uma política pública efetiva resultou em um significativo desmonte na área da saúde mental.
Ao se afastar do cargo para concorrer ao governo do estado, Allyson transferiu seu cargo ao atual prefeito Marcos Bezerra (Republicanos), que herdou uma longa fila de espera para atendimento psicológico infantojuvenil. O levantamento aponta que 988 crianças e 300 adolescentes, totalizando 1.288 indivíduos, aguardam por acolhimento especializado.
Fila de Espera Revela Necessidades Urgentes
Durante uma audiência conjunta das Promotorias de Justiça, realizada em 8 de abril, representantes do MPRN destacaram as críticas à falta de comprometimento da gestão municipal em áreas cruciais como saúde, assistência social e educação. O relatório mostrou que 321 crianças e adolescentes estão em situação de emergência, necessitando de atendimento imediato, enquanto 364 se encontram com urgência, 56 em situação não urgente e 565 aguardam atendimento.
O documento, assinado pela assistente social Jéssica Lima Rocha Nogueira, revela um aumento nas solicitações de atendimento psicológico, que saltaram de 152 em 2024 para 946 em 2025. Este ano, apenas no primeiro trimestre, 164 novos pedidos foram protocolados. Além disso, 137 crianças e adolescentes ainda aguardam atendimento em psicopedagogia e 82 estão na fila para a psicologia.
Demandas de Saúde Mental na Primeira Infância
O diagnóstico sobre a saúde pública em Mossoró destaca que uma parte significativa das crianças na fila de espera está na primeira infância, entre zero e seis anos. O relatório salienta a necessidade urgente de estruturar a rede de saúde mental para reduzir o tempo de espera e garantir um atendimento especializado adequado para essa faixa etária.
O MPRN enfatiza a importância da integração de dados entre a Secretaria Municipal de Saúde e as equipes de referência, visando otimizar os fluxos de atendimento. Com a apresentação desses dados, a expectativa é que a gestão do prefeito Marcos Bezerra implemente medidas para ampliar a rede de proteção social e assegurar direitos fundamentais como educação, saúde e assistência social.
Desafios na Educação Infantil
Além das questões de saúde, o MPRN também trouxe à tona preocupações sobre a educação infantil em Mossoró. O relatório revelou que, apesar de uma leve melhora entre 2024 e 2025, a demanda não atendida em creches voltou a crescer em 2026. Em dezembro de 2025, foram registrados 101 casos de crianças sem atendimento, sendo 48,5% no berçário e 35,6% no maternal I.
No início de 2026, a situação se agravou, com 137 crianças aguardando vagas em berçário, 143 no maternal I, 75 no maternal II, entre outros. As unidades que mais enfrentam essa demanda são a UEI Maria Caldas, UEI Delza Matilde de Lima, UEI Mário Negócio, UEI Noeme Borges e UEI Neusa Xavier Linhares.
Problemas Estruturais na Assistência Social
Durante a audiência do Ministério Público, um dos pontos críticos abordados foi a situação do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CRAS), que atualmente possui apenas uma unidade para todo o município. O relatório técnico aponta que a localização do CRAS em um bairro afastado dificulta o acesso dos usuários e a articulação com a rede de proteção.
Na área de assistência à pessoa idosa, a falta de um centro-dia inviabiliza o atendimento diurno a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Além disso, a escassez de vagas nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) tem resultado em superlotação na Casa de Passagem.
