Valorização do Choro e da Cultura Periférica
O Sesc São Paulo promove uma Roda de Conversa com foco nas manifestações culturais periféricas ligadas ao gênero musical do choro. O encontro busca dar voz a artistas que compartilham suas identidades e atuam em campos diversos como arte e educação, contribuindo para a descentralização deste gênero tão importante da música brasileira.
Dentre os convidados, destaca-se Beatriz Carvalho, uma artista multifacetada da zona leste de São Paulo. Com uma trajetória rica que inclui a música, a cultura popular e a educação, Beatriz é cantora, percussionista e produtora cultural. Sua pesquisa abrange tradições da cultura popular brasileira, e sua formação inclui estudos no pandeiro na Escola de Choro de São Paulo e produção cultural na Universidade Cruzeiro do Sul. Ao longo de sua carreira, ela se apresentou em diversos espaços culturais, como bibliotecas, Casas de Cultura e unidades do Sesc SP.
Beatriz é integrante de coletivos que valorizam a música da região, como o Auá Cantadoras e sua Gente, um grupo que resgata composições de artistas de São Miguel Paulista. Além disso, faz parte do Trio Turano e do Arrumadinho de São Miguel, ambos focados em ritmos populares brasileiros, e do Regional Mateus Santos, que busca preservar a história do choro na comunidade local.
Artistas que Fazem a Diferença
Outro destaque no evento é Camila Silva, musicista e compositora. Desde os 7 anos, Camila teve contato com a música por meio de seu pai. Formada em cavaquinho pela EMESP Tom Jobim e Licenciatura em Música pela Unesp, ela já se apresentou em diversos espaços e dividiu o palco com artistas renomados, como Fabiana Cozza e Teresa Cristina. Atualmente, Camila integra grupos como “Quintal de Fulo” e “Esmero”, contribuindo para a cena musical.
Samuel Silva, um violonista que também representa a música da zona leste, traz uma sonoridade única ao misturar samba e choro. Começou sua jornada musical aos 12 anos e, ao longo do tempo, pesquisou a obra de mestres do violão. Em 2012, participou de um evento em homenagem ao compositor Pixinguinha e criou o projeto “Choro das Estações”, que levou a música instrumental brasileira a diversas comunidades.
Koka Pereira, outra figura relevante na roda de conversa, iniciou sua carreira em um bloco carnavalesco e foi aluno de grandes mestres da percussão. Com uma vasta experiência na música de carnaval e na educação musical, Koka tem atuado em diversas instituições, promovendo oficinas de chorinho e colaborando com artistas renomados. Seu envolvimento com a música é uma demonstração clara da importância do choro na formação cultural da cidade.
A Nova Geração de Artistas
Zuê Silva, cantora e compositora, traz uma perspectiva inovadora ao gênero. Com um mestrado em Direitos Sociais e Políticas Públicas, Zuê tem se destacado em festivais e mostras musicais, além de lançar EPs que revisitam clássicos do choro. Sua participação na Virada Cultural e outros projetos reforça a relevância da mulher na cena musical, promovendo a inclusão e a diversidade.
O evento no Sesc São Paulo não se limita apenas à música, mas busca também promover acessibilidade, com interpretação em Libras. A Roda de Conversa é uma parte essencial do projeto Chora Leste, que visa discutir e ampliar as visibilidades dentro da produção musical do choro na Zona Leste, enfatizando a importância de artistas que têm um vínculo profundo com seus territórios e contextos periféricos.
Uma Celebração do Choro
Ao longo de abril, mês em que se celebra o Dia Nacional do Choro, as iniciativas como a Roda de Conversa no Sesc Belenzinho são fundamentais para resgatar e valorizar esta rica tradição musical. Além de promover diálogos sobre a cena contemporânea do choro, o evento busca conectar essas expressões culturais ao cotidiano da população da Zona Leste, colocando em evidência a importância de manter essa tradição viva e acessível a todos.
