Movimento dos Professores em Mossoró
Na última quarta-feira, 25, os professores da rede municipal de Mossoró decidiram entrar em estado de greve, podendo paralisar as atividades a qualquer momento. A deliberação ocorreu durante uma assembleia do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SINDISERPUM), que visa pressionar o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) a cumprir a legislação referente ao piso salarial nacional do Magistério.
A categoria também se programou para realizar uma parada de advertência no dia 6 de março. Antes disso, no dia 4, o sindicato promoverá uma live pelo Instagram para informar a população sobre a atual situação da Educação no município e discutir o tratamento dado à classe pela administração municipal.
Objetivo do Estado de Greve
O estado de greve representa uma etapa anterior a uma paralisação definitiva. Para o SINDISERPUM, essa é uma oportunidade para que o prefeito Allyson Bezerra possa dialogar sobre as reivindicações dos professores para 2026, que incluem uma defasagem salarial de 27,4%.
Nos seis anos de sua gestão, o prefeito somente atendeu ao reajuste do piso salarial em 2022, quando o percentual de 33,24% foi parcelado ao longo de 17 meses. Em 2024, houve um reajuste de apenas 3,62%. No entanto, os aumentos de 2023, que somavam 14,95%, e de 2025, com 6,27%, não foram cumpridos, e até o momento, o projeto de lei do reajuste de 2026, que corresponde a 5,4%, ainda não foi enviado à Câmara Municipal.
Pontos de Reivindicação
A presidente do SINDISERPUM, professora Celina Gondim, destacou que as reivindicações incluem não apenas a atualização salarial, mas também outros oito tópicos, como a recomposição do auxílio-deslocamento para professores que atuam na zona rural, que não recebe atualizações desde 2016, e a convocação de professores concursados para preencher mais de 200 vagas na rede municipal.
“A categoria está aberta ao diálogo e não se pode afirmar que não estamos dando chances para evitar a greve. O prefeito tem dito nas mídias que atenderá ao reajuste deste ano, mas não se sentou com o SINDISERPUM para discutir os outros pontos da pauta e não forneceu prazos ou condições claras para isso”, comentou Celina Gondim.
Ela ainda acrescentou que a postura do prefeito parece mais focada em comunicação midiática do que em ações efetivas para resolver a situação. “Estamos de olho e, após algumas mobilizações, vamos decidir os próximos passos”, afirmou a presidente do sindicato.
Desconfiança em Relação ao Governo Municipal
A diretoria do SINDISERPUM expressou ceticismo em relação à disposição do prefeito em regularizar os reajustes acumulados, que totalizam 27,4%, além de uma correção de 0,78%. A desconfiança decorre de uma relação tensa entre a administração municipal e os professores.
Os líderes do sindicato lembraram um episódio de 2022, quando o prefeito anunciou um aumento, que na verdade foi parcelado ao longo de 17 meses. “A falta de confiança aumenta, especialmente em anos eleitorais, quando promessas são feitas sem compromissos claros”, diz a professora Gondim.
Vale ressaltar que os aumentos de 2023 e 2025 não foram concedidos, somando uma defasagem salarial significativa de 21,22%. O prefeito justificou que o município já paga acima do piso, mas isso é visto como uma falácia pelos educadores, que reivindicam seus direitos de acordo com a lei.
Impacto na Saúde dos Professores
Celina Gondim também ressaltou que o tratamento desrespeitoso por parte da gestão tem impactado negativamente a saúde dos professores. “Estamos enfrentando um cenário alarmante de adoecimento entre os profissionais da educação em Mossoró. O SINDISERPUM não se submeterá aos desmandos do prefeito, como nunca se submeteu a nenhuma outra gestão nos últimos 37 anos. Sem uma abertura real para o diálogo, o prefeito está empurrando os educadores para a greve”, afirmou.
Nos anos em que os reajustes não foram concedidos, a categoria já havia promovido greves, mas estas foram rapidamente judicializadas e a justiça determinou o retorno dos educadores às salas de aula. O movimento, embora intenso, ainda não conseguiu garantir os direitos dos professores.
