Produção Cultural com Propósito e Diálogo
A produção cultural, segundo Amaury Júnior, diretor da Idearte Produções, deve ter um propósito claro e, além disso, dialogar diretamente com o público, sem se desviar das demandas do mercado. Em entrevista concedida à TV Agora RN nesta quarta-feira, 28, ele enfatizou que criar cultura é uma verdadeira missão. ‘É preciso levar para as pessoas aquilo que acredito também’, afirmou.
Amaury também destacou que não se envolve em projetos que não consumiria. ‘Não produzo nada que não assistiria, que meu filho não assistiria’, ressaltou. Para ele, a curadoria dos espetáculos deve considerar o que o público deseja ver e a diversidade de linguagens disponíveis. ‘Como curador dos projetos e espetáculos, sempre penso no que o público quer’, disse.
A trajetória da Idearte e seus projetos
À frente da Idearte Produções, que completará 15 anos em 2026, Amaury celebrou a importância da produtora em sua vida pessoal. ‘A Idearte é intrinsecamente a minha vida’, destacou. Entre os projetos que marcaram a trajetória da empresa, ele citou a realização de grandes encontros musicais, o Festim – Festival de Teatro Infantil de Natal e o Palco Brasil, todos fundamentais para a cena cultural de Natal.
Além disso, Amaury mencionou a gestão do Projeto Seis e Meia, em parceria com o produtor William Collier. Completando 30 anos em 2025, o projeto foi reconhecido como patrimônio imaterial e cultural do Rio Grande do Norte, após a sanção de uma lei pela governadora Fátima Bezerra (PT) no início do mês.
Desafios do Mercado Cultural em Natal
O produtor cultural não deixou de abordar os desafios que o mercado de eventos enfrenta em Natal, especialmente os impactos econômicos e estruturais agravados pela pandemia de Covid-19. Amaury apontou a escassez de espaços adequados para a realização de eventos, os altos custos de produção e a fragilidade da economia local como principais entraves para o desenvolvimento do setor no estado.
‘As pessoas que frequentavam o Teatro Riachuelo semanalmente agora vão a cada 15 dias. Já quem frequentava a cada 15 dias, agora vai uma vez por mês. Essa mudança reflete claramente a situação atual’, explicou. Ele reforçou que a cultura é um direito constitucional e clamou por mais democratização no acesso.
Carência de Equipamentos Culturais
A falta de equipamentos adequados é um dos principais desafios do setor, segundo Amaury. ‘Precisamos de mais espaços para múltiplos eventos. Este é o grande desafio’, enfatizou. Ele observou que o Teatro Riachuelo é atualmente a única grande casa de espetáculos na cidade. ‘Até agora, temos apenas o Teatro Riachuelo como uma grande casa’, lamentou.
O Teatro Alberto Maranhão (TAM), por sua vez, enfrentou dificuldades relacionadas à sua localização. ‘É um teatro de pequeno a médio porte, que não consegue atender a tantas produções. Além disso, enfrenta um entorno problemático que desestimula o público a frequentá-lo’, destacou.
Reconhecimento da Economia Criativa
Amaury também abordou a falta de reconhecimento da economia criativa como um setor estratégico. ‘Vivemos uma economia fragilizada que ainda não percebeu a importância da cultura e da economia criativa como uma plataforma de negócios’, afirmou. Contudo, ele ponderou que os artistas têm avançado na compreensão de que estão inseridos em uma indústria.
Entraves nas Leis de Incentivo
As leis de incentivo à cultura do Rio Grande do Norte, segundo o produtor, estão enfrentando obstáculos que limitam recursos para a economia criativa. Amaury mencionou problemas tanto na legislação municipal quanto na estadual, além da redução do orçamento destinado à área cultural. ‘Tivemos uma queda significativa na lei Djalma Maranhão, de 2% para 1%’, relatou.
Estruturação do Grupo Idearte
Amaury também discutiu a estruturação do Grupo Idearte, do qual a Idearte Produções faz parte. Além do entretenimento, o grupo também envolve rádio, televisão e uma plataforma de venda de ingressos. ‘No ano passado, adquirimos a Rádio Clube, que tem grande história em nossa cidade’, disse. A rádio opera no dial 106.3 FM e completou um ano de retorno em janeiro.
Ademais, o produtor falou sobre a aquisição da TV União, agora TV Clube, que contará com nova programação após o Carnaval. ‘Estamos finalizando o rebranding para estrear a nova programação’, completou. ‘Todas as nossas empresas estão interligadas, formando um ecossistema completo de entretenimento e comunicação.’
